Impeachment Com e Sem Internet: Dilma vs Collor

Tem muita manifestação pipocando desde a saída do governo Dilma e a entrada do governo Temer. Parece que vai se formando uma multidão, com o caminho livre para atuar criticamente contra o novo-velho Governo, como bem coloca Rebeca Lerer. Agora não há mais o escudo da sigla que já foi o maior partido dos trabalhadores do mundo, e podemos bater panela sem remorsos.

Por isso a multidão está vivendo o presente pouco apegada a saída de Dilma na quinta-feira, logo canalizando a energia criativa contra tudo que representa cena bizarra de Temer e seus ministros tomando posse, todos homens, ricos, quase todos brancos e velhos, ou quase brancos e quase velhos. E a situação só tende a piorar, já que ainda nem começou a distribuição de cargos de “segunda linha”, com destaque para a Petrobras.

Até agora, das manifestações pós-Dilma, o trote em que Temer fala com a rádio argentina achando que era o presidente Macri, a marcha da maconha em SP, a manifestação de ativistas negros em frente à sede da FIESP, a ocupação da Cinelândia por uma maioria de mulheres; o panelaço ontem, tudo isso me fez pensar em algumas diferenças cruciais dos dois impedimentos de presidentes na “democracia” brasileira.

Uma coisa é o impedimento de um presidente homem em 1992, que acabou renunciando, com a internet limitada às Universidades, a grande mídia manipulando tranquilamente, e a posse de um vice-presidente mineiro como Itamar Franco. Outra coisa é o impedimento de uma mulher em 2016, que não renunciou, com a internet na era das redes sociais digitais e dos telefones espertos, a grande mídia perdendo protagonismo, e a posse de um vice-presidente paulista como Michel Temer. Café com leite de vices.

No século XXI, pode até acabar em pizza, com pancada da polícia reforçada pela lei “anti-terrorismo” que ela deixa para ele, mas o panelaço vai esquentar. 1992 não é 2016.