Há mais do que apenas sonhos aflorando à beira de mim.

Levantei-me esta manhã ainda ciente de ter muitas coisas para serem realizadas. Há quem não precise tanto de se preocupar com isso, especialmente aqueles com mais luas para apreciar, mas, no meu caso, a cada brilhar do sol eu realizo sobre se já fiz a diferença.

Enquanto caminhava até o banheiro, pensei “”As farei com a mesma qualidade de como sempre as fiz””. Quando o pensamento se dividiu e rolou até as minhas mãos eu notei que o motor da minha vida havia se desgastado. Doem as minhas mãos. Então, me perguntei, “”até quando eu poderei fazer assim?””. É sutil, mas eu percebo nitidamente que a cada ano se torna delicadamente um pouquinho mais difícil orquestrar os feitos com a mesma intensidade da experiência dos anos anteriores.

A cada dia, a vida se retira delicada e suavemente de dentro da gente. A cada instante assim ela o faz, como se a conexão entre o eu e a vida fosse sendo perdida. Como se o combustível que me anima, que catalisa os meus sorrisos fosse a cada instante perdendo o seu apoio.

Talvez em alguns anos eu não possa exercer as minhas atividades com o mesmo nível de energia e eficiência. Me pergunto se o que estou vendo terá o mesmo brilho, se as cores possuirão em seus tons a mesma intensidade. Será que o meu corpo me impedirá de perceber a realidade com a mesma nitidez? Talvez possa ser o caso.

Deve ser a coisa mais difícil de lidar, sermos pegos de surpresa, nos percebermos tão diferentes depois de alguns anos. É por isso que eu venho tentando ler as entrelinhas da vida. Mesmo assim, não tem sido fácil. Mas afinal, do que adianta?

Luz e Paz.