O que as Olimpíadas me ensinaram ou porque não acredito em talento.

Resultados não caem do céu, feito fruto mais que maduro na ponta de um galho. Isso nós sabemos. Todas as grandes metas levam tempo para serem alcançadas. Mas então por que esperamos atingir rapidamente nossos objetivos? Ou pior: por que às vezes não conseguimos atingi-los? Ou pior ainda: por que teimamos não sermos capazes de realizá-los? As Olimpíadas do Rio responderam a minha inquietação. Com uma nova dúvida, é claro.

Veja os atletas olímpicos. Nesse contexto, pouco importa vencer ou perder. Isso faz parte do esporte. Mas eles estão lá. Os melhores de cada nação, estampando no peito o orgulho de representar os seus. Esse pode ser o grande objetivo de cada um deles. Ali, alcançado. Quando acompanhamos apenas o final do ciclo olímpico (isto é: as Olimpíadas, em si), parece algo fácil. Mas e os 1445 dias que separam uma Olimpíada da outra? Ah, são dias de muito trabalho.

Por isso, não acredito em talento. Quer dizer, não somente em talento. Vejo nestes atletas dedicação, transpiração, foco. O talento é importante, é claro. Mas apenas uma predisposição natural, psicológica ou seja lá como podemos defini-lo não é o bastante. Usain Bolt jamais seria o único tricampeão olímpico dos 100m e dos 200m rasos apenas com o talento. Para ele, foi preciso muito treinamento. Muito trabalho duro. A ponto do mito falar que parecia que ia morrer. Se para ele foi assim, imagina para nós.

Este não é um texto para exaltar algum esportista em especial. É para exaltar todos eles. Pois eu admirarei eternamente aqueles que encontram seu propósito para viver. Aqueles que sacrificam tantas coisas para atingir seus objetivos. Aqueles que abrem mão de uma vida tranquila para ascender ao Olimpo. Porém, não são somente os atletas que vivem de sacrifícios. Eu e você podemos ser iguais a eles neste aspecto.

Nós não somos nenhum atleta profissional. Se você for, eu te admiro, mas desculpe, estas palavras finais não são para você. Entretanto, mesmo não tendo o esporte como meta de vida, os Jogos do Rio 2016 me deixaram um grande legado. E alguns grandes ensinamentos vêm em forma de dúvida. Desde então, esse questionamento faz parte dos meus dias. Deixe-me compartilhá-lo com você.

O que eu faço hoje para ser o atleta olímpico dos meus objetivos?