D E V A N E I O

Tudo o que você procura
Não está lá.
Ali onde você espera
(naquele mundo idílico,
Pasárgada onde tudo é seu,
onde é feio
tudo que não é espelho)
Não está essa verdade,
Ou essa paz que você busca
Tudo que você procura
Não. Está. Lá.
Não está no confortável,
Doce, simpático;
Não está no desafio
De ousar, de arriscar;
“Busque incessantemente”,
Aquela voz interna te diz,
“Ou pare de buscar.”
Mas não há busca a ser parada.
Você vai olhar, olhar e olhar
E vai achar só a si mesmo.
Tudo o que eu procuro
Não está nesse texto,
Ou em nenhum que eu venha a escrever;
Está à minha volta
E em mim.
Não nas rimas ricas,
Ou nos bons temas
Ou na ironia pós-abstrata
m o d e r n a
d e
f n o v a s
o
r
m
a
s
Que eu procuro desde que eu nasci
(ou ainda na barriga da minha mãe, ou no Éter)
Mas em tudo o que eu vivo
E deixo de viver
E que me transforma no âmago do meu ser
Então que esse devaneio
(meio coxo, desagradável)
Te sirva pra você ver
Que tudo o que você procura
Não está lá,
está em você.
