O Fogo

Alexandre Sérvio
Sep 9, 2018 · 1 min read

Chama
o que arde em mim e queima,
destrói e avassala, o sal e a lágrima
A maré que retorna
Puxando
E puxando
E puxando…

O frio
E seus tremeliques e em tempos
De dor e desgraça
Desfaçatez que desfaça
O construído, doído, suado, amado
Esse fado sem fim

Nesse fado
Vomitei sangue
Chorei o que tinha pra chorar
O pranto que é chuva
E leva nas águas aquilo que há
Mas não lava:
Não há Veja que lave o pecado,
Veja bem…

Veja bem,
Eu sofri
Mas sofreu tanto mais quem me viu
Quem sentiu o que eu fiz
Como faca, ou fogo ou furor
Um faquir
Deitado em uma cama de pregos dizendo
A si mesmo bem mais que a alguém
Que está tudo bem
Veja bem…
Não está tudo bem e comigo também
Mas porém
Dá pra ver pela fresta da porta da vida que existe algo além
Ou pra trás dá pra olhar pra quem não deixou-se ruir,
Pros que se erguem

Você. Você é Antígona, e a dor
Já se foi, nunca esteve
Esteve você,
só.
E tudo bem.

    Alexandre Sérvio

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    Eu escrevo vez ou outra