O que temos em comum com o alface brilhante que compramos no supermercado?

Bobagem ou não, enchemos nossa vida de agrotóxicos para deixá-la mais bonita (para os outros) e reforçar a ideia de perfeição — algo que não existe.

Escolhemos interferir no processo da natureza por vaidade. Queremos que as coisas durem, que elas não acabem. Só que morrer faz parte do processo de existir. (Foto: Reprodução)

Outro dia preparando o jantar me deparei com uma reflexão importante, que ao meu ver, faz todo o sentido do mundo. Moro em rua de feira e pelo menos duas ou três vezes ao mês garanto minhas verduras e legumes de uma forma bem mais fresca do que aquelas que compramos nos supermercados — talvez.

Há algumas semanas tenho me espantado com a qualidade dos produtos vendidos na feira, o preço subiu e a qualidade caiu muito. Produtos machucados, feios e pequenos e tudo isso por conta das chuvas do começo do ano — faz parte da vida.

Claro que itens como saladas acabei comprando no supermercado e me deparei com uma questão interessante. Os alfaces, e tantos outros legumes, verduras e frutas, duram mais por conta dos produtos que são utilizados para este fim, os chamados agrotóxicos.

Venenos são colocados com a função de dar durabilidade, espantar insetos e alimentar uma imagem linda de um determinado produto, como o alface, brilhante e super verde, chamando atenção do consumidor. Será que não estamos fazendo o mesmo com nossas vidas?

Se nos alimentamos com esse produtos envenenados, imagine o que não fazemos com nosso corpo, nossa mente e espírito. O ego é uma espécie de agrotóxico para nossa existência, alimenta as mais belas paisagens da ilusão. Você se prepara todo para algo que nem existe. Pior, faz tudo ao contrário do que está previsto para libertar seu espírito.

A verdade é que, assim como os alfaces cuidados com agrotóxicos, nós não permitimos mais a vida mostrar sua imperfeição, as vezes seguramos algo até não conseguir e fazemos de tudo para manter as coisas que nem sequer mais fazem sentido. Nós escolhemos todos os meios possíveis para controlar, para chegar onde nós queremos e não onde realmente deveríamos.

Tudo tem seu processo e interromper isso é entrar em conflito com a natureza (Foto: Reprodução)

Fazemos planos para coisas que já estão planejadas. Lutamos contra um tempo que não é piedoso, mas é amigo porque nos leva ao caminho certo, mesmo que demore encarnações. O tempo leva TUDO embora e viver o agora é mais necessário do que qualquer outra coisa.

Precisamos deixar a natureza — e a nós também — fluir como se deve. Interromper este processo é algo desgastante e só adia a sua evolução espiritual. É preciso investir num amor próprio, não pela vaidade, mas sim para criar um relacionamento pacífico com a própria existência material e a imperfeição natural que ela carrega. Não aceitamos mais nada, queremos tudo do nosso jeito e é isso que tem nos tem angustiado todos os dias.

Aqui, já não mais luto contra minhas divindades e espalho essa mensagem para que você não lute mais contra suas verdades que ainda seguem ocultas.

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