O regresso do boêmio

Na mesma Salvador de barzinhos descolados ainda é possível regressar à boemia outrora cantada por Nelson Gonçalves. Mérito para o Boteco 31, agradável bar na Saúde, bairro que se mantém alheio à efervescência de outros cantos da cidade. Concebido há quatro anos por Lélia Costa, 50, e Sílvio Lopes, 64, o espaço surgiu da ideia de agregar arte e cultura num ambiente de amigos.

Música e poesia dão o tom, sem interferir no bate-papo. Não bastasse a atmosfera histórica ao redor, com ruas de pedras e casarões coloniais, o botequim funciona num sobrado erguido no século 19 — precisamente em 1861. Peça logo uma cerva bem gelada de “batismo”. Dos tradicionais aos maltados, incluindo lata e long neck, há rótulos diversos (entre R$ 3,49 e R$ 10,99).

Nas paredes de alvenaria, instrumentos de cordas e de percussão repousam à espera de quem quiser puxar um som. Mesmo que só “arranhe”, sinta-se à vontade: o palco é democrático. É ali mesmo, aliás, que uma turma de jovens senhores, vez por outra, comanda rodas de samba e chorinho.

Diante da velha guarda, vale brindar a ocasião com uma boa cachaça mineira (R$ 4,99, a dose). Não faça desfeita! Para beliscar, são dois os carros-chefes do cardápio: o arrumadinho (R$ 34,99, para dois), à base de feijão-fradinho, farofa, charque, linguiça, bacon e salada vinagrete; e, se for comer sozinho, não se arrependerá do escondidinho na caneca (R$ 11,99), preparado com purê de aipim e uma saborosa carne de sol vinda da interiorana Castro Alves. Tudo sem couvert.

Boteco 31 Rua Jogo do Carneiro, 291 (térreo), Saúde — 3334–2023. Aberto de terça a domingo, a partir do meio-dia

Destaque O cardápio da casa dispõe de pratos que saem sob encomenda. Entre os mais pedidos está a galinhada com pirão (R$ 39,99). É preciso ligar com certa antecedência para o preparo da iguaria

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