garotos

De baixo das luzes fluorescentes todos dançam, menos você. Rodeado de amigos, eu danço enquanto te vejo ao longe com seu olhar fixado em mim. Viro o olhar duas ou mais vezes, mas você continua do mesmo jeito, até que resolve tomar o último gole da sua long neck e vem em minha direção. Chega perto de mim e no meu ouvido, diz que me conhece por foto no instagram e fala o meu nome. Conversamos por uns cinco minutos e nos beijamos por um tempo indeterminado em minha cabeça.

São três horas da madrugada e a música ainda toca na festa quando resolvo que é hora de ir no banheiro. Espero uns três minutos numa fila até que adentro no box e faço xixi. Enquanto isso, escuto um barulho vindo do outro box e pelo o que logo me dou conta, é alguém sendo chupado e gemendo de prazer, mandando o outro não parar.

Saio do banheiro e descido que essa festa já deu, que é hora de voltar pra casa. Me despeço dos meus amigos (os que ainda restaram na festa) e saio quando meu uber chega.

Com sono e um pouco ainda alcoolizado, penso nos eventos da noite que acabei de ter e como ela poderia ser uma cópia de alguma das músicas da Lorde.

A cidade ainda dorme. Ruas vazias à espera dos primeiros raios de sol. É é aí que me pergunto: seria tudo isso um sonho? Afinal, quem realmente está acordado no fim das contas?

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Alexandre Amorim Filho

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Alexandre Amorim Filho (Recife, 1993) é Bacharel em Publicidade e Mestre em Ciências da Linguagem (Unicap). Atualmente cursa Letras — Português (UFPE).

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