E pitaco, pode?

Faz umas semanas que eu vejo esse texto passar na minha timeline do Facebook. Na hora eu achei engraçadinho, mas na verdade não deveria ser.

Qualquer tipo de terapia, seja medicamentosa, nutricional ou treinamento físico, é, em última instância, um acordo entre o profissional prescritor e o paciente/aluno/cliente.

Todo o mundo deve poder dar palpite na receita médica ou esclarecer dúvidas sobre ela, especialmente se já tiver apresentado algum efeito adverso por causa da medicação prescrita. Os pacientes devem se sentir à vontade para discutir os riscos e benefícios de um tratamento ou mesmo o valor que terão de pagar por ele. Não adianta fazer uma receita médica linda e o medicamento não ser comprado ou tomado. O médico tem que estar pronto pra esclarecer essas questões ou mesmo buscar a informação. Se chegar a um meio termo for impossível, o melhor é sugerir que o paciente busque opinião com outro profissional.

Com a alimentação é a mesma coisa. Ninguém come pra ganhar ou perder peso, as pessoas comem porque precisam e porque gostam. A ingestão de alimentos não deve nunca ser uma penitência, mas um prazer, e mesmo quando há algumas restrições, o ideal não é proibir alimentos específicos, mas ensinar o indivíduo a fazer escolhas alimentares conscientes.

E o treino precisa de mais discussão e pitaco ainda. Tem exercícios que eu detesto fazer. Tem exercícios que eu prefiro. Ninguém é obrigado a fazer o que não gosta, pois tem uma infinidade de outras opções das quais podemos lançar mão. Não me refiro só ao movimento, mas também à intensidade, à frequência e ao volume do treinamento. Tudo isso tem que ficar de acordo com a rotina de quem vai treinar, ou não vai haver adesão ao treinamento. É claro que tem aquele aluno que não quer fazer nada, mas aí uma conversa franca sobre os objetivos dele vale mais a pena do que ficarem os dois se martirizando.

O pitaco é sinal de interesse da pessoa que está contratando seu serviço. Ela quer saber o que está acontecendo com o seu corpo, entender como ele está sendo modificado. É um oportunidade de aprendizado tanto para cliente como para o profissional.

Discutam mais com os pacientes/alunos/clientes. Reclamem menos.

Alexandre Wahl Hennigen

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Pajé, cozinheiro, nadador, atilado, alfabetizado, conselheiro, plantador de oliveiras, catador de frutas, comilão, naturista, traficante, barbudo e cabeludo.

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