Batman e Hobbes no Espírito Santo

As lições do caos na segurança pública capixaba e a história que ainda precisa ser contada

Em três dias de paralisação dos policiais militares no Espírito Santo, mais de 65 assassinatos. Apenas nesta segunda, 32 mortos. Os corpos vão se acumulando no chão do IML de Vitória que não tem como dar conta de tantos cadáveres. Antes da greve, a média diária de homicídios em todo estado não passava de três.

Saques, arrastões e mais de 65 assassinatos em apenas três dias

Nestes dias de caos, a população ficou sitiada enquanto o comércio era saqueado e crimes cometidos à luz do dia. As aulas nas escolas das redes municipal e estadual foram suspensas. Vários postos de saúde interromperam o atendimento. A maioria dos postos de gasolina permanece fechada.

Com a chegada das tropas do exército e da Força Nacional ontem, recebidas com festa pelo capixaba, 40% dos ônibus voltaram a circular em Vitória (até às 19h), mas a situação ainda é muito preocupante. A reabertura do comércio está sendo feita de forma gradual.

Familiares de policiais militares fazem manifestação na porta dos quartéis

A normalidade, aos poucos, deve voltar ao Espírito Santo, enquanto se espera que o movimento grevista não espalhe para outros estados com problemas financeiros como o Rio de Janeiro em que há tempos tenta-se articular uma paralisação semelhante. Se a paralização causou o que você está vendo no Espírito Santo, tente imaginar no Rio.

Com a crise, começou também a guerra de narrativas. Os sociólogos de entrevista, eufemismo para militantes de extrema-esquerda das universidades públicas, são convocados pela imprensa para dar a versão psolenta dos acontecimentos e pedir menos polícia, menos armas nas mãos da população civil, mais criminosos fora das cadeias, mais “dinheiro para a educação” (na verdade, para os sindicatos), mais leniência com a bandidagem, o roteiro macabro de sempre. E a opinião pública é mais uma vez exposta à doutrinação ideológica sem qualquer alternativa de informação e análise fora do esquerdismo.

Disse mil vezes e vou repetir: de todas as teses da esquerda, nenhuma é tão fora da realidade, impopular, absurda e frágil quanto as que abordam segurança pública e criminalidade. E a população sabe disso.

Diogo Fraga (esq.), personagem de Tropa de Elite 2 criado para canonizar Marcelo Freixo (PSOL)

“Tropa de Elite 2” resume o argumento esquerdista com maestria. O personagem Diogo Fraga, uma versão romantizada de Marcelo Freixo do PSOL, dá uma palestra logo no início do filme em que reproduz com perfeição uma típica aula de humanas em universidade brasileira. No discurso, o professor de história faz uma conta lisérgica e afirma que “em 2081, 90% da população brasileira estará presa”. Na atual orgia entre a cultura pop, Globo e o PSOL, Gregório Duvivier usou argumentos semelhantes num discurso recente em que pedia o fim da Polícia Militar.

Rangel Bandeira, do Viva Rio, falou em encontro da esquerda na Venezuela a convite de Hugo Chávez contra as armas legais nas mãos do cidadão.

Nada do que a esquerda propõe se aproveita na prática, mas algumas de suas teorias são mais complexas de desmascarar, exigem mais atenção, sofisticação intelectual e interesse do ouvinte. Se fosse tudo fácil de derrubar com argumentos racionais, ela já teria desaparecido.

Para ficar num exemplo óbvio, só a publicação de “O cálculo econômico sob o socialismo” (Mises, 1920) bastaria para que nunca mais o socialismo fosse citado como teoria econômica, no máximo apareceria em livros de história como uma bizarrice remota, próxima da alquimia e do tratamento de doenças com sanguessugas.

Algumas teorias de esquerda são tão ardilosas, bem articuladas e dissimuladas que até gente que se vê como liberal repete, incapaz de entender que está servindo de inocente útil ou de quinta-coluna para o inimigo. Estamos repletos de exemplos disso nos últimos meses.

Bill Whittle desmonta as falácias da esquerda sobre as armas

Já segurança pública é onde temos mando de campo. É onde fica evidente, até para o espectador mais desatento, que esquerdismo, se levado a sério, mata. É quando tudo que falam cai por terra aos olhos da população, quando seu subjetivismo bocó fica nu. É quando os "especialistas da GloboNews" podem ser desmascarados como jacobinos psolentos que querem apenas abrir as portas de cada Bastilha para instaurar o caos e fazer a “revolução”.

Quem vive o dia a dia da violência urbana está blindado e vacinado contra “bandido é um oprimido da sociedade capitalista”, “soltem os presos, cadeia é escola do crime”, “criança de 17 anos não pode ir para a cadeia, mesmo que estupre, sequestre ou mate”, “traficante quando tiver CNPJ vai pagar imposto, abrir loja no shopping e vender cocaína orgânica com selo de sustentabilidade”, “basta fazer oficina de escultura de garrafa PET que os meninos que tocaram fogo na dentista vão passar a fazer street art no muro do vizinho”, “desarmem a população e a polícia como diz a ONU que o PCC abre um orfanato” e por aí vai.

Bene Barbosa e a lição do Espírito Santo

Essa lamentável tragédia do povo capixaba precisa de narrativas alternativas, fora da esquerda, para que o Brasil aprenda a lição de que leis são para serem cumpridas e que sem policiamento não há ordem pública. Alguns membros da sociedade seguem leis, outros não, e para estes últimos existem a polícia, o judiciário e, se necessário, o sistema prisional.

Sei que é raro conservadores burkeanos citarem Hobbes, mas o Espírito Santo se tornou uma triste lembrança do que o “estado da natureza” hobbesiano pode não ser apenas um devaneio de um autor visto como autoritário e quase niilista em busca da justificação das ditaduras. Hobbes viveu tempos conturbados e sua pouca fé no próximo é compreensível.

Thomas Hobbes (1588–1679), autor de "Leviatã" (1651)

Algumas localidades do Espírito Santo, como mostram as imagens e os angustiantes relatos que chegam de lá, foram transformadas em amostras grátis, guardadas as devidas proporções, de como viver em regiões disputadas pelo Estado Islâmico, Boko Haram, Al-Shabaab e Al Qaeda estão mais próximas do pesadelo hobbesiano do que do paraíso repleto de “bons selvagens” de Rousseau. Para combater o homem que se porta como “lobo do homem”, palavras de ordem e aulas de capoeira não bastam.

Além de toda ajuda humanitária que puder ser enviada, junto com o reforço da segurança do estado pelo governo federal, é preciso que esse episódio não caia no esquecimento ou ele, evidentemente, voltará a se repetir e vidas serão perdidas por conta da ideologia hegemônica nas universidades e meios de comunicação.

Militantes de extrema-esquerda: únicas vozes reconhecidas pela imprensa como "especialistas" em segurança pública

Tirem fotos, filmes, façam documentários, entrevistas, e mostrem para todos que o socialismo real não é uma visão ficcional da Dinamarca mas esse estado brutal que transforma Vila Velha em Gotham City e faz da Grande Vitória uma locação do próximo Mad Max. Como disse Bene Barbosa, a crise lembrou a todos que o Batman não existe.

O que não é registrado em áudio e vídeo, o que não é transformado em vídeos e documentários, não aconteceu. Ninguém lembrará do que causou as quase cem mortes e o que ficará é apenas o que foi mostrado pelo jornalismo que deve culpar Donald Trump e o aquecimento global pelos saques nos supermercados e os cadáveres empilhados no IML capixaba.

Onde estão os cineastas e videomakers não-esquerdistas? Ainda há roteiristas e jornalistas independentes? Fora do Facebook existe muitas histórias dramáticas para contar e várias lições para serem aprendidas.

Ao trabalho!

Cobertura da crise em tempo real pelo portal G1: http://g1.globo.com/espirito-santo/

"Espírito Santo: Lições do Caos" (Bene Barbosa) http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/espirito-santo-licoes-do-caos-12r5084nmmng9qlurr03dt413

Vídeo do MBL com líderes esquerdistas pedindo o fim da PM https://www.facebook.com/mblivre/videos/531228617001286/

Bruno Garschagen comenta a crise no Espírito Santo
Gregório Duvivier pede o fim da PM
Diogo Fraga, personagem de "Tropa de Elite 2", doutrina o público com as teses de esquerda sobre segurança pública
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