Menos um

Morre um dos símbolos do globalismo no momento histórico do ressurgimento de movimentos de defesa dos estados nacionais

Morreu David Rockefeller, 101. Ele era neto de John D. Rockefeller, o americano mais rico da história, um dos ícones do capitalismo a Era Dourada que foram rotulados pelos historiadores comunistas como “robber baron” (barão ladrão) no início do séc. XX.

Enquanto John D. Rockefeller (1839–1937) revolucionou o mercado de petróleo e gás, contribuindo de forma decisiva para a ascensão da América para a liderança econômica do mundo, seu neto foi um globalista que ajudou a financiar algumas das piores causas que se tem notícia.

Apenas com a redução do preço da querosene, que veio a substituir o óleo de baleia como combustível para as lâmpadas usadas na iluminação pública e privada em meados do séc. XIX, é possível assumir que John D. Rockefeller fez a mais importante contribuição individual para que as baleias não fossem extintas.

David Rockefeller

David Rockefeller, seu neto que morreu hoje, era chairman honorário do famigerado CFR (Council on Foreign Relations) e um dos membros do clube Bilderberg, o mais seleto e poderoso do mundo que reúne as principais fortunas globalistas e seus políticos de estimação como Bill e Hillary Clinton e a família Bush.

Todas as homenagens a John D. Rockefeller são justas. Já David, que usou parte da herança bilionária construída pelo avô para avançar a agenda globalista, não sentirei nenhuma falta.

Sinto uma incontrolável schadenfreude ao lembrar que David Rockefeller viveu para presenciar a vitória de Donald Trump.


Trecho do livro de memórias de David Rockefeller, publicado em 2003, em que acaba reafirmando tudo que aparentemente tenta negar.

“Há mais de um século, extremistas dos dois lados do espectro político têm se aproveitado de eventos públicos como meu encontro com Fidel Castro para atacar minha família por um suposto excesso de influência que dizem que temos sobre a política e a economia na América.
David Rockefeller com Fidel Castro em 1995
Alguns até acreditam que fazemos parte de uma conspiração secreta contra os interesses americanos, caracterizando minha família e eu como ‘globalistas’ que trabalham com estrangeiros para montar um mundo mais integrado — um só mundo, se preferir. Se essa é a acusação, eu me declaro culpado e com orgulho.
O foco dos anti-Rockefellers nestes assuntos deve muito ao populismo. Populistas acreditam em teorias da conspiração e uma das mais duradouras é de que existe um grupo secreto de banqueiros, capitalistas internacionais e seus lacaios que controlam a economia mundial. Pela minha posição de destaque à frente do Chase por muitos anos, fui agraciado por eles com o título de ‘conspirador chefe’.
Populistas e isolacionistas ignoram os benefícios tangíveis que resultaram do nosso papel internacional ativo nas últimas décadas. Não apenas houve a superação do risco apresentado pelo comunismo soviético como também melhorias fundamentais em diversas sociedades do mundo, particularmente nos EUA, resultado do comércio global, melhoria das comunicações e mais interação de pessoas de diferentes culturas. Populistas raramente citam essas consequências positivas ou conseguem explicar de modo convincente como sustentariam o crescimento da economia americana ou a expansão de nosso poder sem elas.”
David Rockefeller (1915–2017)