Quem diz que não tem lado, merece ficar do lado de fora.

Ter um “lado” político-ideológico, ter uma visão de mundo, não só é normal como louvável e deve ser explicitado por todos que participam do debate público.

Na Europa, é claro para o leitor qual é o lado do veículo. Preferimos copiar a aberração americana que finge isenção, com poucas e honrosas exceções. Alguém na Inglaterra tem dúvida de que o The Guardian é de esquerda ou a The Spectator é de direita? É honesto e respeita o leitor.

A Veja, quando era a Veja, batia no PT sem dó. A Carta Capital fazia o papel oposto. As duas, neste sentido, estavam corretas em manter uma relação madura e honesta com o leitor que não escondia as preferências e escolhas.

Defendo há anos que jornais e jornalistas se posicionem claramente em relação às suas crenças, idéias e preferências político-ideológicas. E não há nada de errado nisso, pelo contrário. Errado é fingir “isenção”.

É preciso parabenizar enfaticamente a postura da Gazeta do Povo, jornal que tenho a honra de colaborar desde 2014, portanto antes de ser moda ser de direita, que tem a lista mais completa que já vi publicada na imprensa brasileira sobre as próprias crenças. Não deixe de ler.

"Nossas Convicções", publicado pela Gazeta do Povo

Nenhum jornal é perfeito, evidentemente, e é claro que a própria Gazeta do Povo pode ser criticada em relação às autoproclamadas crenças, é do jogo democrático. O que é preciso reconhecer é que ao menos ela está na direção certa.

Outra aberração é a relação tradicional entre grupos de comunicação e a publicidade estatal e empréstimos de bancos públicos. Separar estado e imprensa é tão importante quanto já foi um dia separar estado e igreja.

Desde Watergate, quando Nixon foi “derrubado” pela imprensa, parte do jornalismo assumiu “derrubar presidentes” como um fetiche, uma distorção da idéia original de fiscalizar o poder. O poder deve ser fiscalizado sempre, mas num contrato claro e honesto com o leitor.

A solução para “problemas da liberdade” será sempre mais liberdade. Mais jornais, mais concorrência e menos interferência governamental.

É preciso evitar tanto a perseguição e constrangimento de inimigos do governo quanto a promoção de uma imprensa (ou blogosfera) cordata e sabuja, duas faces da mesma moeda antidemocrática e antiliberal.

#ImprensaLivre