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Fantástico Luiz Estrela

O retorno do herói marginal


É um pássaro? Um avião? Não, é uma estrela. Na verdade, é o fantástico Luiz Estrela, um super-herói filho das ruas da região central de Belo Horizonte. Iluminado pela atmosfera de uma cidade cada vez mais participativa, nosso protagonista é poeta, ativista, homossexual, artista e quiçá até sambista. O mais importante, porém, é que ele também é pessoa, cidadão, é gente como a gente. Não é fidalgo, mas a personificação de um porvir igualitário e popular.

Contudo, nem tudo são flores na vida do nosso Estrela. Após muito penar, ele enfrentou uma aventura mortal: escapar da limpeza urbana e da truculência dos tiras, dos cops, os maiores vilões dessa história — e de muitas outras também, vide Amarildo. Os tiras sempre existiram, mas só a partir de 2009 eles se empenharam em prol de um mal comum, qual seja, o de enjaular artistas marginais e anular heróis como o Estrela.

Destemido, Estrela foi à luta, militou por causas nobres e sobreviveu por meio do poder de sua arte até junho de 2013, quando foi então abatido, tal como um avião numa guerra qualquer, sem sensibilidade, tampouco compaixão. No entanto os tiras não contavam com a sua astúcia…

Artistas, agitadores sociais, livres pensadores e educadores ocupam o Espaço Comum Luiz Estrela

O heroísmo desse personagem não é regrado pelo medo, mas pela superação, e após muito vagar a esmo pelas ruas do nosso centro, Estrela, como uma fênix, ressurgiu do pó. A sua história de dor e desgraça se abrigou no espírito e na mente dos querubins belo-horizontinos, que, amorosos como são, presentearam nosso herói com um casarão que leva o seu nome.

Com isso, hoje o Estrela retornou e está incorporado às paredes do Espaço Comum Luiz Estrela, no bairro Santa Efigênia, que agora traz mais vida para Belo Horizonte, uma vez que transforma o que era abandonado em centro de arte e cultura, onde todos se encontram para versejar o povo e a cidade. Sempre de portas abertas, o Espaço conta com uma programação bem variada: de saraus a aulas de yoga, de assembleias a espetáculos os mais diversos.

Renovado, Estrela volta a atuar a favor da ocupação do espaço público pelo povo mineiro, criando laços poderosos entre a arte e a cidade, o povo e as ruas. Como já dizia Olavo Bilac, só quem ama é capaz de ouvir e entender as estrelas. Dito isso, Estrela ainda brilha. E enquanto brilhar, haverá esperança na vida e no cinza dessa cidade.

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