Mais uma daquelas histórias sobre perder a paciência com taxista no Rio de Janeiro


Em pleno Carnaval de 2014, resolvi sair para fazer algo que ninguém deve pensar em fazer durante o carnaval - correr na orla de Copacabana. Quando terminei, decidi dar uma passadinha no supermercado Zona Sul. Aquele que fica logo ali no Leme, sabe?

Dizem que a pizza dali é uma delícia, mas não foi esse o caso. Na verdade, fui comprar sucos industrializados, biscoitos, chocolates e todas aquelas coisas que a pessoa que costuma correr mais de 10km por treino NÃO compraria, entende? Eu sei o que você deve estar pensando: todo errado!

Saí do supermercado com algumas sacolas. Deviam ter umas três, no máximo. E estou entrando nesse detalhe pois sei que eles podem cobrar por mala, o que geralmente não acontece.

Fiz sinal e o taxista parou. Entrei no carro e indiquei o destino — Botafogo. A corrida, na época, daria pouco mais de R$8,00. Entretanto, havia sido aprovado um aumento e, por isso,até o momento de aferir o taxímetro, os taxistas precisavam conferir o valor corrigido por meio de uma tabela com o valor antigo seguido do valor novo, com o reajuste. A corrida deveria dar uns R$10, no máximo.

Quando chegamos no destino, olhei para o taxímetro que marcava o que eu havia previsto, pouco mais de R$8 e eu sabia que daria uns R$10. Mesmo assim, fiz a pergunta para saber exatamente quanto daria.

Quanto deu?
Deu R$16
Como é que é? Eu costumo pagar R$10 nessa corrida!

A resposta do taxista, que veio rápida e rasteira conseguiu me deixar ainda mais indignado:

É Carnaval, meu amigo!
Mas e daí que é carnaval? Eu sei que estão aferindo os taxímetros, mas o aumento fez a corrida subir de pouco mais de R$8 para uns R$10.
A prefeitura soltou uma tabela, olha aqui!

Enquanto ele retirava um folder colorido de Carnaval com uma tabela de preços, eu já continuei a questionar:

Amigo, eu não fui informado de tabela nenhuma
Pois é, olha aqui, a Prefeitura que fez
Mas eu não fiquei sabendo de nada, então vamos fazer o seguinte: você me da um recibo que eu vou procurar entender melhor essa tabela

Inicialmente animado com a solução, o taxista puxou um papel e escreveu o primeiro nome e o valor, o que não serviria para mim.

Não, não, não, vamos fazer um recibo mais completo. Eu quero que você coloque aí o seu nome completo, a sua identidade, o lugar de onde saímos, o destino, a hora de saída, a hora de chegada, a placa do carro, a sua licença e o valor. Aí sim eu vou poder verificar.
Mas não foi eu que fiz a tabela, foi a Prefeitura!
Então, se foi a prefeitura que fez, realmente, então eu vou levar esse recibo pra eles e eles vão me informar que o senhor está certo.
Mas a licença é no nome de um amigo, tenho medo de dar problema para ele.
Não vai dar problema algum. Você não disse que a tabela foi uma iniciativa da Prefeitura? Quando eu mostrar eles vão dizer que o senhor estava certo, vão me explicar a tabela e vai ficar tudo bem.
Não, vamos fazer pelos R$10 mesmo.

A tabela que ele tanto mostrou e falou, depois eu fui descobrir, realmente existiu, mas era aplicada apenas aos taxistas que trabalhavam na Sapucaí. A corrida da Sapucaí para Botafogo, custava R$16, mas uma corrida do Leme para Botafogo não tinha nada a ver com essa tabela.

O que mais me revoltou não foram os R$6, mas a cara de pau de uma pessoa que deveria estar trabalhando honestamente, informando corretamente as coisas para os passageiros.

Hoje, em meio ao grande debate sobre Uber vs Táxi, o que as pessoas estão querendo, não é um motorista que abra a porta para você entrar ou sair. Nem mesmo a água ou o energético para o passageiro. O que queremos do taxista é a certeza de que ele vai aceitar uma corrida para a Barra da Tijuca, a certeza de que ele não vai negar uma corrida por ser pequena, a garantia de um preço justo e sem trapaça. Eu mesmo, já tive a desagradável experiência de pegar um táxi com taxímetro adulterado no Santos Dumont, mas isso é assunto para outro post.

Gostou da história? Diga o que achou! Recomende! Muitas vezes, quando nos deparamos com situações como essa, ficamos travados por conta da surpresa. Por nunca termos visto uma situação parecida. Ao conhecermos esses relatos, ganhamos uma bagagem de experiência que nos ajuda a reagir com mais segurança e agilidade nessas situações adversas.

E você? Já passou por alguma situação complicada com táxis? Conte para nós e contribua para que esse tipo de coisa pare de acontecer.

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