O dia em que o Dedé Santana me fez descobrir que sou um merda


Pois bem, essa história começou em abril, enquanto aproveitava os meus merecidos dias de férias com a minha família, em Aracaju — SE. Era um domingo nublado, eu acabara de almoçar no Shopping Jardins quando resolvemos que naquele dia iríamos ao circo com o nosso filho, Felipe (4 anos). A empolgação foi enorme e corremos para a bilheteria para comprar os ingressos. O dia prometia ser ainda mais especial, pois contaria com a presença do eterno Trapalhão, Dedé Santana.

Eu que diversas vezes fui ao cinema quando criança para assistir aos filmes do quarteto de palhaços, teria a oportunidade de, ao lado do meu filho, assistir a mais um show desse cara que sempre admirei.

As horas se passaram e lá estávamos nós, munidos de pipoca, algodão doce e tudo o que da vontade de comprar num circo, prontos para curtir o show. Palhaços, mágicos e até um globo da morte animaram a festa. Entretanto, aconteceu ali, naquele dia, algo que mudaria a minha vida.

Dedé entrou no palco após um anúncio do locutor que explicava:

Por questões contratuais com a Rede Globo de Televisão, fica proibida a filmagem do artista. Por favor, colaborem.

Durante a sua apresentação, Dedé fez tudo o que sempre fez na TV. Foi bobo, caiu no chão, deu cambalhota, levou chutes na bunda, foi palhaço, enfim. E eu, no auge da arrogância, olhei para aquelas cenas e me perguntei:

Mas como é que um cara com quase 80 anos se presta a um papel desses? Estar nesse circo, sendo chutado e humilhado por essas pessoas? Que fim de carreira! Depois de ter sido deixado de lado pelo Didi, ainda vai se prestar a esse papel?

Confesso que no momento em que pensei essas coisas, estava convicto, eu realmente pensava exatamente deste modo.

No final do espetáculo, fui embora. O produtor do show, um amigo de longa data, ainda me chamou para tirar uma foto com o artista. Como o meu filho já estava agoniado para ir embora, me apressei e não entrei na fila para eternizar aquele momento.

Alguns dias se passaram, as férias acabaram e já aqui no Rio, comecei a fazer um curso sobre liderança na Perestroika. O refresh é um curso sensacional que eu recomendo a todos aqueles que querem levar um tapa na cara. Daquele que faz qualquer um acordar para a realidade.

Dentro do programa do curso, tivemos uma experiência sensacional com o Márcio Libar. A experiência imersiva que tivemos, foi apenas um pedacinho de algo muito maior, chamado “Aceita Idiota” e me fez enxergar verdades que me fizeram muito bem. Pretendo participar da experiência completa em breve.

Todos nós temos defeitos, e isso é normal. Vivemos escondidos sob máscaras que nos impedem de olhar para nós mesmos. Ninguém é tão superior ao ponto de não errar, de não ser enganado ou até mesmo de não poder passar por situações como a que o Dedé passou no espetáculo.

E hoje, alguns meses depois daquela apresentação do Dedé no circo em Aracaju, vejo que, na verdade, o merda fui eu. Entender esse tipo de coisa nos faz tirar um grande peso das costas. Diminui as cobranças que fazemos aos outros e a nós mesmos.

Talvez, ao ler esse texto, você esteja se perguntando se estou triste por chegar à conclusão de que sou um merda. Não estou triste, pelo contrário. Estou muito feliz pois sei que não estou sozinho nessa, companheiro ;)

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