Produtos da China: imitação ou inovação?

Existe um consenso popular que diz que tudo que vem da China é tão falsificado quanto essa nota de R$ 3,00.

Mas será que esse consenso é verdadeiro? Será que o país que fabrica os produtos da Apple, Samsung, HP, Nike, entre outros, não é capaz de criar produtos inovadores?

A VERDADE: Os chineses são bons, tanto para produzir quanto para copiar

O produto da esquerda vem do mesmo país que produz o da direita.

A Nike não tem uma fábrica nos EUA desde 1982, e ela não faria isso se não pudesse aplicar um rígido controle de qualidade em seus produtos. Mas até esse controle os chineses copiaram.

Hoje a China só é a 2ª maior economia do mundo graças à abertura de mercado iniciada em 1978. A partir desta data, muitas empresas puderam entrar na China e desfrutar do poder de consumo e de produção da maior população do mundo.

Em troca, as empresas tiveram que prover a tal “transferência de conhecimento”, eufemismo para cópia. E é aqui que começa a história da pirataria chinesa.

O maior pólo de fábricas da China fica em Shenzhen, onde existem fábricas de qualidade e outras não, mas pode ter certeza que muitos produtos “Made in China” que você encontra nas bancas dos camelôs e também nas Apple Store vieram de lá.

O mercado mundial de eletroeletrônicos, que sofre muito com a pirataria chinesa, já até batizou estas marcas e produtos. Eles se chamam Shanzhai, como você pode ver em alguns exemplos abaixo:

As marcas com grafia errada servem para os fabricantes driblarem os direitos de propriedade, além de também se prestarem para pegar o consumidor local, pouco habituado com as letras latinas. Isso acontece porque o Governo faz vista grossa, para favorecer as empresas locais.

Quando a japonesa Honda chegou à China, teve que enfrentar a concorrência das motos locais Hondga. Já a GM, dos EUA, teve de engolir um decalque de um carro seu por uma fábrica estatal para não brigar com o governo chinês.

Uma grande parcela das empresas chinesas atua de acordo com a estratégia Second-Mover Advantage, que consiste em agir rapidamente após o First-Mover, copiando ou criando seu próprio Oceano Azul.

Um caso claro disso aqui no Brasil é a Record, que declaradamente copia tudo que a Globo faz, para manter-se competitiva, perante o SBT.

As empresas chinesas usam essa estratégia, para, por exemplo, massificar smarthphones para as classes pobres e abocanhar esse mercado, ignorado pelos fabricantes mundiais. É o caso do HiPhone, criado a partir do iPhone, que também é fabricado na China:

É importante notar que além da cópia, os chineses conhecem os ciclos de obsolescência (extremamente planejados) da Apple e procuram se adiantar somando funcionalidades, como Rádio e TV Digital. Lógico que a qualidade é questionável, mas o embrião da inovação está ali.

Quando eu era criança, nos anos 80, época de ouro para o Japão, o meu pai costumava dizer: “Os EUA criam e os japoneses aperfeiçoam.” Hoje essa frase atualizada seria mais ou mesnos assim: “Os EUA criam e os chineses massificam”.

INOVAÇÃO: por um crescimento sustentável para a China

Inovação é o único aspecto que pode marcar uma nova era para os produtos chineses.

Para quem não tinha nada alguns anos atrás e hoje já ser o único país a ter Seção Especial no ranking The Most Innovative Companies 2010 da Fast Company, é uma prova que a China virou destaque em inovação.

Alíás, a China tem aproveitado bem seus gastos em P&D, pois eles tem sido convertidos em patentes, como mostra o gráfico abaixo:

Outro fator que impulsiona a inovação é o boom de educação que a China está atravessando. Ela já é o país que mais forma engenheiros e geneticistas no mundo, o que significa que estes graduados não vão querer fazer o trabalho semi-escravo que seus pais faziam anos atrás.

Fato que mudará o modelo de crescimento da China nos próximos anos, priorizando o fator humano e o talento individual daquele mundo de gente.

E se eles conseguirem fazer isso mantendo o impressionante crescimento econômico dos últimos anos, provavelmente seu futuro filho vai ter que aprender mandarim, quiça você.

Post originalmente publicado no meu antigo blog, em Dezembro/2010.

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