E você é como um curativo sobre um ferimento doloroso: indispensável até que finalmente se nota que a pele começa a se curar sozinha e que então você não é mais necessário e não faz mais que sufocar e impedir a recuperação completa do mal ao qual antes era tão importante. E por mais que doa, por mais que você queria se sentir usado e culpar outro alguém, sempre esteve mais consciente do que qualquer outro que esse era o inerente fim que te esperava. Porque você sabia que não era capaz de dar-lhe a felicidade que merecia e que algum dia deveria deixá-la. Porque esse é o seu destino no final das contas: amar incondicionalmnte até não ser mais necessário e então se contentar em saber que será uma lembrança doce na memória dela, uma brisa de verão que veio refrescar-lhe a alma, mas deve inevitavelmente partir com o outono. Então você apenas observa ao vê-la caminhar para longe de você sem um último olhar, enquanto sente sua face umedecer-se com lágrimas incontidas. E você apenas sorri. Ela está curada, afinal.