O medo me encontra, forte e profundo. Tanto me privei, esquivei, fugi que já não sei mais como me entregar. A mente voa, tantas insanas e dolorosas possibilidades se amontoam e tudo que posso captar nesse enlouquecedor torvelinho de inseguranças é a vontade de fugir. De novo. Do quê? Dos teus olhos cativantes e profundos? Da tua intensidade atordoante? Das tuas palavras sinceras? Da tua coragem de despir-se, de mostrar-se por completo e de amar? Mas há também uma voz tímida. Infeliz e pequena, clama pelo amor que tu queres me dar. Clama, dolorida, para que eu divida um pouco do amor que tenho tão bem guardado cá em meu peito. Uma voz que cresce e mistura-se à tua, pedindo para que confie, para que esqueça o medo, esqueça o que tantos outros dizem, apenas esqueça. E seja livre. Apenas sinta, transborde e enlouqueça. Enlouqueça, meu amor, porque o amor não serve para ser racional.