Meus 5 primeiros segundos de liberdade

Eu, meus amigos, algumas cabanas numa clareira ha muito usada e a mata fechada, isolados da vida civil que nunca antes nos abandonara. Fechei os olhos e respirei profundamente até completar os pulmões de ar gelado e úmido em dois segundos daquela manhã de outono. Toda cacofonia de instrumentos, passos e vozes se foi. Caiu sobre mim o silêncio arrebatador da floresta, que tem som do farfalhar das folhas, do chiado do córrego, do pio distante dos pássaros.
Um segundo, o sol me tocou por sobre a cabeça em minhas mãos ávidas por seu calor e logo em seguida me abandonou na penumbra da nuvem que passava, me fazendo acordar e mirar o céu retalhado de algodão cinza e dourado por cima da copa das árvores.
Apreendi a harmonia do acampamento e a natureza num rápido olhar parabólico ao redor da clareira e desejei em dois segundos que a simplicidade elegante daquele momento fosse o limite da vida.
O apito gritou soberbo nos meus ouvidos com sua voz aguda e estridente pra me lembrar que era monitor da patrulha Corvo e deveria guiar os outros escoteiros ao pátio de atividades para receber as ordens do dia. Pego o bastão com bandeirola, ajusto o lenço, fiscalizo o uniforme, verifico se estão todos em ordem com a ajuda do submonitor e… sempre alerta!
