Vou cometer um crime antagônico.

Por favor, não avisem as autoridades.
Não quero tratamento. Nem resposta, nem argumento. Vou vivendo enquanto aumento essa vontade de sustento. E enquanto não me mata esse vício magnata, cresce a ideia estupefata de me tornar um psicopata.
Mas se isso acontecer, será fácil reconhecer, o criminoso exaltado com dificuldade de esquecer aquela que um dia fez por merecer.
Se merecia eu não sei, e nisso eu pensei, pesquisei, analisei, avisei e, com todas as palavras, do melhor jeito eu expressei.
O plano foi organizado, o dia agendado, o método otimizado e até o prejuízo já foi cotado. Vai ser daqui um mês, no dia três, ao estilo burguês, prometo que vai ser a última vez. Avisei quatro ou cinco conhecidos, seus amigos preferidos, exibidos e também um bandido -embora eu tivesse ido-, pro verso não ficar sem sentido. Não vou ser ignorante e anunciar no alto falante, não quero um público abundante num show em que serei o coadjuvante.
Se eu for preso não ficarei nenhum pouco surpreso, pois, tenho na manga o contrapeso pra provar que estava indefeso. Ela chegou de repente, manipulando minha mente pendente a seu olhar tangente, destruiu tudo pela frente. Não sobrou nada, transtornada, designada e esfomeada, foi-se limonada, feijoada e goiabada. Bomba? Não, granada. Esse é, por enfim, o motivo, e talvez fosse seu objetivo, com aquele jeito persuasivo contra um cara emotivo.
Olha, pra sincero, não quero matar ninguém, isso não me convém e, se nada me detém, que graça tem? Faremos então, um trato, eu não te mato e não me mato, de remorso após o relato do ato. Esquece isso, se você acabar não vai ter piso, aviso, tempo preciso e nem narciso que goste do seu sorriso. Sorriso raro, do tipo caro, que se necessário demonstra avaro, porém, é claro, tem seu anteparo.
Eu até ia fazer a última estrofe falando sobre suas características, mas lembrei que você realmente não merece. Um poema inteiro falando que eu pensei e planejei te matar já está de bom tamanho. Termino, então, com um final sem rima e com o penar de não ter conseguido fazer uma frase rimando com o sufixo verbal “ar”. Termino também, deixando um aviso que, caso ela morra, saibam que realmente não foi eu quem a matei. Eu posso até saber quem foi. Mas não sei quem fui.