Uma noite para matar a saudade
Valdivia voltou após sua aposentadoria na seleção. Fez gol, deu show e matou a saudade da torcida chilena.

Pela terceira vez Jorge Valdivia e a Seleção Chilena se reencontram. Depois do seu “adeus” após a Copa do Mundo, motivado pelos poucos minutos em que teve oportunidade de entrar em campo, o Mago deixou seu orgulho de lado, selou a paz com a comissão técnica e caiu novamente nos braços da torcida.
Antes, Valdivia já havia se desligado da La Roja por duas vezes, em dois episódios de indisciplina. Em ambas voltou e foi grande figura nas classificações da sua seleção para as duas últimas Copas. Em um dos seus retornos, marcou o gol da vitória e da classificação para a Copa da África, contra a Colômbia.
Até o dia de sua ‘aposentadoria’, Valdivia tinha participado de 60 partidas na equipe principal da seleção chilena. Venceu 25, empatou 14 e perdeu 21. Participou de duas Copas do Mundo, marcou 5 gols, deu 14 assistências e sofreu 2 expulsões. Foram 10 anos na seleção, desde quando teve sua noite de debutante, em um amistoso contra o México, entrando no lugar de Nicolás Córdova, no dia 19 de fevereiro de 2004. Valdivia já jogou contra 30 seleções diferentes, sendo titular em 35 das 60 partidas, porém jogando 90 minutos em apenas 16 delas.
Agora é uma nova fase. No dia do seu regresso, foi reapresentado ao grupo de convocados pelo capitão e goleiro Claudio Bravo. Recebeu aplausos dos jogadores, uma cena que seria repetida pelo estádio do time Huachipato no minuto 77 do amistoso contra a Venezuela.
Valdivia estava de volta, foi convocado como titular diante do país em que nasceu. O meia deu um colorido a mais que faltava a seleção de Sampaoli, que só havia empatado em 2–2 contra a Bolívia em seu último amistoso. O Mago trouxe mais profundidade, ditou o ritmo do jogo, deu um toque de magia e também algo que faltava: a alegria. Isso se refletiu na euforia dos torcedores que o aplaudiu seu espetáculo no Estádio CAP. Essa alegria, essa felicidade foi colocada pra fora diante dos microfones que o procuraram após a goleada por 5–0.
“Estou feliz por estar de volta depois de um pequeno tempo em que se passaram muitas coisas em minha cabeça. Aconteceu uma negociação frustrada, o meu retorno ao Palmeiras, e hoje eu me encontro com muita confiança. Estou feliz com o recebimento que tive dos meus companheiros, da comissão técnica e da torcida que me demonstrou carinho”. — contou o camisa 10.
Mais que isso, Valdivia foi considerado pela imprensa do seu país a estrela da noite. E essa estrela brilhou ainda mais com um golaço impossível, sem ângulo. Era o melhor prêmio que ele poderia ter ganho e ter dado a uma torcida que estava lá para matar a saudade de 116 dias do ‘adeus’ até o ‘retorno triunfal’.