a arte estava ali e eu não tinha nada a fazer

se não senti-la

sequer toca-la

e sempre ama-la

miseravelmente sucumbindo à beleza

à dor da existência

e, ainda assim, maravilhada

como quem vê o desabrochar da flor

(re)nascer do sol

nesta hora em que se percebe

se admite

o mero papel receptor

o eco daquilo que nem todos enxergam todo dia

a dádiva e a maldição que é

ser

acima de tudo

sensível.