eu sinto que existe algo para ser escrito, mas não sei exatamente o quê. como é possível um vocabulário adquirido no decorrer de vinte e dois anos vivendo no país da língua nativa e, ainda assim, falhar miseravelmente na missão de agrupar uma série de palavras que sejam capazes de expressar uma abstração?

a linguagem é falha. digo, aquela escrita, das palavras, convencionadas. às vezes, o silêncio puro e simples exprime mais a completude do abandono inerente, o qual somos jogados do minuto inicial que existimos.

os signos, as simbologias, as alegorias e as metáforas consegue dizer muito mais em suas entrelinhas que a própria consumação das palavras, sejam escritas ou proferidas. o peso carregado por estas joga sem dó nem piedade o interlocutor e o receptor numa viagem senóide, em que nunca se encontrarão. o pêndulo que à medida em que um se aproxima do entendimento, o outro é jogado na distância extrema.

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