Feelings are fatal

Sua primeira paixonite fora com um colega, aos sete anos de idade; os dois mal haviam liberado o colo da mãe ainda e tão pouco sabiam arcar com as responsabilidades da vida. Estudavam na mesma classe, treinavam no mesmo time de basquete e suas mães revezavam as idas para levá-los e buscá-los. Ela achava incrível dele gostar dos mesmos desenhos que ela, o sorriso tímido e a risada leve e fresca. Aquele cara também fora um dos primeiros a faze-la chorar e sentir-se substituível — afinal, ele lhe presenteava deliciosas balas e aquilo era um sinal de que existia uma conexão — quando apareceu de mãos dadas com uma de suas amiguinhas mais próxima. Com ciúmes e mágoa de primeira viagem, Alice jogou sua preciosa lancheira quadrada e amarela na cabeça do garoto de cabelos escuros, mas eventualmente a situação fora resolvida e eles voltaram a ser colegas.

Com catorze anos ela teve seu primeiro beijo roubado. Era uma sexta-feira, seus amigos haviam combinado de se encontrarem no shopping e para a sua surpresa, um garoto — alguns breves anos mais velho — que era colega de seu amigo lhe puxou pelo pulso, fazendo com que seus calcanhares girassem e foi aí que ela desejou nunca mais beijar nenhuma outra pessoa — ele lhe roubara seu primeiro beijo de maneira invasiva, estranho, babado, desconcertante. Alice socou a cara do sujeito e correu pra longe de todos, mais uma vez magoada, porém, um sentimento novo surgia: raiva.

Prestes a fazer seus dezesseis anos, conheceu alguém. De nome estrangeiro, um novo universo lhe fora revelado — assim como outras dores. Fora tudo bem e bonito demais no começo, mas as coisas começaram a tornar-se entediantes. Ele era um boneco oco. Intrigante a primeira vista, mas que se revelou vazio, desonesto e sem graça com o decorrer do tempo. Os últimos dois meses ela ponderava em como terminar, até que descobriu das traições no dia que ele lhe revelara tudo — simplesmente lhe deu um tapa na cara gritando que não o aguentava mais e foi embora. Aquilo deixara suas amigas surpresas, mas haviam sido três anos dos quais quase se tornara aquilo que o outro queria e bem, ela não podia perder-se para permanecer com alguém. Seja quem fosse.

Making me expect things, and being nice without thinking of what I would feel, always me the one baring everything,
and falling for things.

Um de seus maiores temores aconteciam — ela se apaixonou anos depois, mais uma vez.

A diferença era gritante. O mundo que não era colorido desde muito tempo agora lhe mostrava inúmeros pontos de luzes tão distintas e incríveis — mas enganam-se os que acreditaram que suas dores diminuiriam ou desapareceriam com isso. E talvez esse tenha sido um dos dilemas mais profundos desse seu segundo namoro; aquele garoto realmente tinha o desejo de vê-la feliz e era tão gritante que com o passar dos anos, aprendeu que duas pessoas não precisam necessariamente estar longe uma da outra para que um abismo surgisse.

Alice dizia: o amor não é perdido por minutos, é perdido por milhas.

Like what you read? Give hana alice. a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.