Infância (ou falta dela)
Talvez este texto seja sobre o dia que tive, talvez ele seja sobre uma observação feita a partir do dia que vivenciei ou talvez ele seja sobre as duas coisas. Ainda não sei. Mas prometo que quando terminar terei a resposta.
Sabe aqueles dias em que tudo parece sufocante? Ou aquele final de semana? Ou aquela semana? Ou aquele mês? Vamos dizer que estava (e em parte ainda pode ser que esteja) tendo um destes acima. Sempre que me sinto desta forma busco fazer coisas que me tirem a mente do todo e o que me preencha seja apenas a atividade que estou fazendo.
O que está te sufocando, Alice? Não sei ao certo, mas as redes sociais estão no meio. Enfim. Enfim. Enfim. Uma das coisas que alivia a minha mente e me permite focar apenas no que faço é a patinação, portanto, decidi fazer exatamente isso. Apenas deslizar por algum tempo, sem pensar em absolutamente nada que estava me fazendo mal. Foco direcionado ao corpo, aos movimentos, a precisão e ao equilíbrio, ao mesmo tempo, uma sensação única de estar livre.
Enquanto patinava comecei a observar as crianças que lá se encontravam. Crianças são seres incríveis, não? Eles se arriscam numa primeira tentativa, caem, levantam, tentam de novo e sempre buscam dar o melhor de si no que estão fazendo. Sem medo, sem amarras, sem cuidados demais.
Uma menininha de aproximadamente sete anos entrou na pista, sozinha, os pais estavam do lado de fora. No começo ela segurou na barra, ficou de um lado para o outro até ganhar confiança e se soltar. Caiu. Levantou. Foi mais uma vez. Na terceira tentativa ela conseguiu andar sem segurar e sem cair. Continuou perto da barra até se sentir segura e ir mais para o meio. E lá foi ela, feliz, orgulhosa, mais uma conquista.
A menininha me trouxe uma memória: eu naquela idade quando ganhei meu primeiro patins de rodinha. Andava o dia inteiro, alternando entre a bicicleta e o patinete. Aos onze anos subi numa pista de gelo, cai, levantei, cai, levantei, cai de novo e finalmente consegui. O mesmo com as rodinhas, o mesmo com a bicicleta, o mesmo com o patinete.
Um questionamento me surgiu, então: quando um adulto passa a substituir a coragem por medos? Quando ele passa a desistir após a primeira queda? Em que momento se perde a vontade de tentar por receio de cair? Por que se perde o melhor da infância?
Observo no meu dia a dia tantas pessoas deixando de buscar algumas coisas pelo simples fato de temer. Vivendo situações e momentos em que não se deseja mais estar por simples comodidade ou medo do desconhecido. Até eu mesma já me encontrei em circunstâncias do gênero. E isso é tão errado, não? Olha o exemplo que damos as nossas crianças. Talvez seja por isso que esta essência tão mágica e importante se perde conforme crescemos.
E após escrever tudo isso, concluo: devemos aprender mais com eles (as crianças) para nos tornarmos (adultos e) exemplos melhores.
