Nós nunca fomos sinfonia

Se existe uma coisa capaz de reavivar memórias é a madrugada. Ela chega de mansinho, sem você perceber, e cautelosamente começa a fazer silêncios gritarem.

Eu amo o cinema. Ficção científica, dramas, comédias, animação e os malditos romances. Quando a conheci foi como “Imagine Me & You”, eu soube depois de três segundos. E o tempo fez seu trabalho: as conversas, as brincadeiras, os assuntos sérios, tudo foi mostrando que estava certa desde o início. Foi como um clique, nós tínhamos tudo para dar certo. Mas aconteceu algo. Algo chato e feio. Algo que não suporto. E foi preciso me afastar.

Mas a vida prega peças e nos reencontramos. Diferentes. Mais velhas. Um pouco mais maduras. E mais uma vez aquilo que antes no uniu voltou a fazer efeito, mas claro, com um pouco mais de conhecimento do mundo. Sandra Bullock e Keanu Reeves, em seu relacionamento à distância, naquela casa de vidro, basicamente no meio de um lago, era eu e você. Tentando vencer o que nos mantinha afastadas por algo que parecia ser muito maior. Lutando por algo que nunca antes havia sido sentido. Algo que um dia ficou somente adormecido.

Risos. Sorrisos. Palavras. Atos. Destruídos por falta de companheirismo. E doeu, doeu como nunca antes. Passei a entender o motivo de um coração partido ser retratado de forma tão melodramática nos filmes e séries de TV. Porque é difícil encontrar uma frase que de fato retrate a sensação. Foi como pratos se quebrando? Algo apertando o peito? Só sei que é pior do que um soco no rosto.

Porém, mais uma vez, nos reencontramos. Você estava diferente, parecia ser tudo aquilo que eu um dia quis que você fosse. Os sentimentos borbulharam, vieram a superfície me cumprimentar e era óbvio, pelo andar da carruagem, o que iria acontecer. E teria tido alguma vez par melhor do que a gente? Ponderávamos durante aquele curto tempo. E viramos uma noite conversando, atualizando sobre o que acontecia em nossas vidas e tendo a certeza de que deveríamos tentar. Parecia que acabávamos de sair do filme de Nigel Cole, o “De Repente é Amor”. Não importava o quão longe ficássemos você parecia sempre inevitável.

O problema é que ilusão não dura muito tempo, você era a mesma pessoa que sempre foi e eu não podia viver mais nessa roda-gigante. Vai, “diga alguma coisa, eu estou desistindo de você”… “é você quem eu amo e estou dizendo adeus”… “diga alguma coisa, eu estou desistindo de você”. E doeu desistir de você. Doeu desistir do que poderíamos ter. Doeu quando você não pediu para ficar. Doeu quando percebi que nunca mais iria te ver. Doeu quando me dei conta que não mais iria conversar com você. Contudo, doeu ainda mais quando parei de gostar de você.

O nosso infinito durou o que tinha que durar. E felizmente, não éramos Tim e Mary.

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