O impenetrável

Vulnerável rumo ao impenetrável

Eu tenho e sempre tive
uma predileção
uma atração
uma fascinação
– é tesão –
pelo mais difícil.

Quanto mais confuso, 
mais me incluo. 
Quanto mais inexplicado, 
mais me afundo. 
Quanto mais distante, 
mais incessante. 
Quanto mais bizarro, 
só mais um cigarro.

Eu sempre desse lado 
e ele, nele, encapsulado.

Ele, indecifrável, 
eu, incontrolável. 
Ele, tão impenetrável,
fazendo nada, e só nada, 
sabe me deixar vulnerável. 
Eu, tão inspirada, 
fazendo muito, talvez tudo, 
saberei ser memorável?

Nunca vou saber se ele percebe
– ou se merece.
Talvez eu que tenha criado
– ou procriado –
um homem bem mais angustiado.

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