Promessas

Me fizeram promessas
e eu acreditei. 
Me repetiram crenças
e eu não duvidei.

Eu até quis testar (mas nunca fiz):
os guarda-chuvas que, 
dependendo de onde abertos, 
são capazes de matar na hora
principalmente os mais espertos.

Eu morri de medo (e até hoje):
os chinelos de dedo que, 
virados ao contrário, 
têm a força de levar dessa vida
nossas mães, sem honorários.

Eu acredito (e tenho em mim):
os desejos de grávidas que, 
quando não realizados, 
viram marcas na forma da fome, 
sinais da falta, epitelizados, eternizados.

Com tudo isso, 
defendido sem sentido e 
vendido sem pedido, 
como eu, uma criança boba
e uma adulta burra, 
poderia ver o mundo
sem magia
taquicardia
ou demasia?
Tem muito medo e sobra amor, 
é muita dor pra sempre cedo.

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