A História que nunca tivemos

créditos: Museu Nacional

Na noite desse domingo (2) uma grande parte da história do Brasil e do mundo viraram pó. O Museu da História Nacional, localizada na bela mas agora mais triste ainda cidade do Rio de Janeiro, entrou em chamas e as mesmas o consumiu. Claramente a culpa não é só do fogo, ela pode ser dividia entre instituições governamentais, estaduais e municipais que deferiam ter zelado pela história do país que não fizeram um trabalha tão essencial que parece absurdo clamar. Mas, novamente, a culpa carregada de remorsos não deve ficar só nas mãos das instâncias de poder. As cinzas da Quinta da Boa Vista está nas mãos de quem vos digita, está nas mãos de quem segura o celular, está nas mãos de cada brasileiro que votou mas esqueceu em quem, está nas mãos de cada pessoa que não cobra, está nas mãos de quem não exerce a democracia, de quem não exerce o seu direito.

O nosso ex-museu nacional falava sobre lutas, falava sobre liberdade, falava sobre renascer e perpetuar, falava sobre o passado, com quem deveríamos aprender mais. Mas, nós não aprendemos. Infelizmente, dentro de alguns meses iremos esquecer. A pessoa que vive no Brasil é realmente um brasileiro. “Eiro” de carpinteiro, pedreiro, engenheiro, “eiro” que não nos faz filhos. Não temos nem o prefixo para comprovar a nossa origem, agora não temos nem a nossa história para nos lembramos de quem somos.

Mas esse fenômeno de esquecer a história já provinha antes do assassinato com requintes de crueldade do Museu Nacional. O brasileiro, o trabalhador, fez greve em plena paulista para a mudança do chefe. Conseguiu. A chefona caiu. O segundo chefe não foi também satisfatório, a greve foi convocada novamente, mas dessa vez nada aconteceu. Então, cabia mudar a forma de gerência da fábrica, instaurar um modelo onde greves não fossem aceitas, onde o trabalhador não pudesse se manifestar. Assim, quando não fosse ouvido o trabalhador poderia justificar que não tinha “liberdade” com o patrão. E assim história iria se repetir. Quem esquece da sua história, erra tudo de novo, sofre tudo de novo.

Mas qual era a minha relação com o Museu de História Natural? Bom, infelizmente nunca chegarei a conhecê-lo. Mesmo com minha avó morando no Rio, todas as vezes que estive lá me vi impedida de visitá-lo. Ou era muito nova, ou era inexperiente para andar nas ruas do Rio, ou era feriado. Nunca o conheci. Meu coração aperta por pensar nisso. Quando me dei por conta da proporção do incêndio a primeira imagem que me veio na cabeça foi a do meu pai. Quando eu e meu irmão éramos pequenos assistimos com o meu pai o filme “A Múmia”. Meu irmão não dormiu por uma semana, toda noite acordava chorando. Aos berros! Eu também fiquei com muito medo, mas nunca paguei de medrosa. Demorava a dormir com medo da múmia aparecer gritando comigo, mas o cansaço acabava me ninando. Meu pai vendo aquela situação, nos contou as histórias sobre o Egito e sobre suas múmias, e comentou que um dia iria nos levar para ver as “ múmias que tem no Rio de Janeiro”.

Provavelmente hoje ele não lembra da história, mas eu sim. História essa que me união mesmo distante com o imponente, agora fraco, oco, Museu de História Natural do Rio de Janeiro.

As cinzas dele agora repousam nos destroços de um país sem harmonia, sem beleza e cada vez mais ignorante.

Minimalismo político

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Mais um blog de nome chato falando sobre política internacional, porque a daqui me deprime

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