Isto é um texto motivacional sim.

de 04 de setembro de 2017

Certa vez fui num evento organizado pelo grupo Mulheres que Escrevem e uma das moças da mesa falou sobre como auto-ajuda é um gênero literário muito mal visto (até por ser considerado ~livro de mulherzinha~) e que, pô, se os textos dela ajudavam uma pessoa de alguma forma, que ótimo. Sei lá, o que mais você poderia querer causar em alguém através de uma obra sua?

E nessa de trabalhar com audiovisual e de ter um ciclo social essencialmente formado por cineastas, músicos, escritores e artistas de diversos tipos vejo o quanto essa coisa de motivação e autoestima profissional faltam pra uns e sobram pra outros. Eu conheço tanta gente foda que acha que escreve mal, que é firmeza pra caralho no trabalho mas recebe pouco (dinheiro e reconhecimento), que cria umas coisas incríveis que quase ninguém vê, que têm umas opiniões arrasa quarteirão, mas que logo desiste porque o mundo insiste em lhe convencer de que ela não é ninguém na fila do pão mesmo.

E sei lá. Foda-se a fila do pão. Tem tanta gente bosta que se acha o rei do pãozinho e nem tem nada a dizer. Tanta gente que só tem um lugar na fila porque sempre teve tudo de mão beijada. Tanta gente que nem gosta de pão, que só quer o status do lugar na porra da fila.

E o foda é que mudar essa dinâmica e esses lugares não é algo que se resolva fácil, claro, se é que seja resolvível. Mas uma coisa que tá sim ao nosso alcance é motivar quem precisa e dar tapa (metafórico) na cara de quem merece. É elogiar o filme aleatório que você viu num festival e achou muito foda. É ler com carinho o texto da sua amiga, dizer a ela que te tocou pra caralho e fazer comentários relevantes. É dizer que achou uma bosta e criticar construtivamente. É não dizer nada quando não tiver nada a acrescentar. É reconhecer que sua voz é válida mas não é mais válida que as outras. É motivar as vozes diversas e excluídas.

Porque elas precisam dessa motivação pra chegar na gente, e a gente precisa delas pra chegar em algum lugar para além do nosso mundinho.

Mundo grande é feito de mundo pequeno, e já passou muito da hora de conhecermos novos mundos.