lista #8: meus novos desconhecidos favoritos

de 19 de outubro de 2017

a elisa do karaokê do bairro liberdade. ela tava com um cara mas eles não eram um casal e elogiou muito a performance minha e do meu amigo de “total eclipse of the heart” (ou de “na batida”, não tenho certeza, cantamos as duas) ela era do pará e tinha acabado de se mudar pra são paulo e disse que perdeu muito tempo da vida se preocupando com amor e que o que importa mesmo é amizade. disse também que eu era muito bonita mas que não tava dando em cima de mim.

as gêmeas siamesas do metrô rio. elas eram pequenas, e o casaco era enorme. um casaco só, pras duas. eu vi de lado. não dava pra ver onde começava um corpo e terminava outro. elas se abraçavam, brincavam, deviam ter uns sete anos. não era um problema elas estarem ocupando o mesmo espaço, quase uma atravessando as moléculas da outra e a outra da uma. fiquei hipnotizada. quando saltei, vi um ombro encostado no outro. separados, mas colados.

a moça do sinal e o moço da caixa de som. andava na paulista sozinha e apertei aqueles botões de parar sinal. ouvi por trás “não funciona” “que?” “não funciona” “ih.” junto da voz veio uma caixa de som, dessas grandes de carregar no ombro tocando uma música rápida e muito alta. acho que pop. mas não identifiquei qual. atravessamos os três o sinal e como meu passo é rápido, fui na frente. por menos de um minuto eles e a música seguiram na mesma direção que eu. como uma trilha sonora particular, como um último plano pré créditos. pra mim, a música ecoava pela paulista inteira.

menino no corrimão de skate da paulista. mas dessa vez era domingo, aquela coisa da “praia” de são paulo. ele tava se equilibrando, com a ajuda de dois adultos, pra tentar pular/andar de skate pelo corrimão. aquilo não tinha como dar certo e eu sadicamente parei só para esperar pra ver o menino cair. ele demorou um pouco a tomar coragem. pulou. não fez a manobra, mas não caiu também. ambos nos decepcionamos.

moça com duas crianças grudadas e atentas no carrinho na pista claudio coutinho. o carrinho era duplo, ou triplo. muito grande mesmo. estavam as três num canto, muito muito próximas à pedra, olhando pra cima. vidradas. todas loiras, cabelos escorridos, centralizadas. não se mexeram por um segundo sequer enquanto eu passava. não faço ideia do que que elas tanto olhavam.

cara ruivo na mesma pista claudio coutinho, talvez em outra pedra. o cabelo era enorme cacheado e ele olhava a pedra feito criança de castigo, feito minha gata encarava as quinas da parede e nunca soubemos o porque. passei. voltei. ele continuava, mas dessa vez deu um salto e agarrou a pedra. ele, sim, caiu.