2015
Chega fim de ano e a gente começa a colocar na balança não só tudo aquilo que a gente comeu na ceia, mas também tudo que fizemos e deixamos de fazer nesse ano.
2015 foi um ano complicado de forma geral. Teve atentado em Paris, teve crise da falta de água no Brasil, pedido de impeachment, #foracunha, crise econômica, epidemia de dengue, Dólar a R$4, estupro coletivo no Piauí, guerra na Síria, rompimento da barragem de Mariana, ocupação das escolas em SP, separação de Ximbinha e Joelma, Youtuber falando merda (novidade), whatsapp bloqueado, mil tretas.
Mas deixando de lado toda a leva de crises que temos vivido no âmbito geral, essa é a hora de olhar mais pra dentro e fazer o balanço geral do que tem acontecido com nós mesmos. Como temos agido, como nos transformamos e se foi pra melhor ou pior.
Para visualizar melhor essa balança da minha vida, eu adotei o método do potinho de coisas boas: escrevi em um papelzinho e coloquei em um pote todas as coisas boas que me aconteceram no ano, das menores às maiores. Você pode fazer isso ao longo do ano ou no fim dele, fazendo uso de posts das redes sociais, eventos, diários, etc pra lhe ajudar a lembrar.
Além dos acontecimentos, analisei o que eu aprendi e como melhorei esse ano. Em 2015 eu aprendi que toda mulher é feminista, sim, e coloquei isso em prática na minha vida. Aprendi que temos direitos e devemos lutar por eles. Aprendi a lidar e combater o racismo intrínseco no nosso cotidiano. O sexismo, o machismo, a homofobia, transfobia, me tornei mais forte e munida de argumentos para combater todos os preconceitos. Levantei bandeiras que levarei pra sempre.
Me tornei voluntária numa ONG de animais abandonados. Tirei a bunda do sofá pra fazer mais por eles. Diminuí meu consumo de carne e quero ser vegetariana em 2016.
Terminei um relacionamento abusivo. Renasci, me descobri como pessoa, descobri também pessoas maravilhosas ao meu redor pra quem eu talvez nunca teria olhado. Descobri que amo a minha própria companhia, e que gatos são as melhores “pessoas”. Não tenho mais medo do escuro.
Dancei mais. Saí mais. Ri mais. Me arrisquei mais nas coisas boas, me joguei em aventuras. Conheci o Cânion do Itaimbezinho de carona com um turco, um alemão e duas brasileiras que eu até então nunca tinha visto. Hospedei pessoas do mundo pelo couchsurfing: alemães, franceses, chilenos, argentinos, colombianos. Minha casa foi um cantinho confortável que falava 4 línguas ao mesmo tempo numa noite dessas.
A empresa que eu trabalhava fechou, me obrigando a sair da zona de conforto e resolver minha vida (eu moro sozinha e pago contas afinal). E resolvi. Fiz toda a busca histórica da minha família, encontrei os documentos dos meus antepassados e reconstruí a trajetória de vida deles na imigração pro Brasil. Reuni os documentos pra dar entrada no meu processo de cidadania italiana. Passei por toda a burocracia brasileira. Comprei passagens pra finalizar o processo na Itália em 2016. Me planejei financeiramente e comecei a preparar os gatos pra essa nova aventura…
No fim das contas? Acho que 2015 foi um ano ruim ao meu redor, mas um ano onde o tropeço só me fez levantar mais forte. Cresci como pessoa, fiz coisas boas pra outras pessoas, pros animais, pra mim.
E definitivamente: 2016 promete.