seu cheiro me mata por dentro ou as desvantagens de reconhecer a verdade

alice
alice
Jul 26, 2018 · 1 min read

checou seu relógio pelo que parecia ser a décima vez em trinta minutos, ainda não havia recebido notícias dela. repassou o cômodo com os olhos e reparou naquele pedaço de pano incomum. dela, concluiu.

ficou feliz e preocupada: feliz pois teria que revê-la para retornar a peça de roupa, e preocupada por talvez ser um objeto imprescindível para passar o resto de sua semana. afinal, só poderiam se encontrar no próximo fim de semana.

pegou seu celular e rapidamente a enviou uma mensagem de texto para lhe avisar do esquecimento de sua roupa, esperando que não houvesse uma resposta negativa da parte dela. pegou a peça na mão e descobriu ser um casaco, encostou seu nariz no tecido quente e inspirou profundamente, estava sentindo seu aroma preferido.

sentir seu cheiro era quase como um carinho, um cafuné. afinal, estava sozinha há trinta minutos e já se sentia triste. aquele cheiro foi seu consolo, como caído do céu. deitou-se ainda com o casaco em mãos e, como um sopro, simplesmente parou seus pensamentos.

nada passou-se por sua cabeça durante um longo tempo, poderia passar dias ali. sua cabeça vazia e ao mesmo tempo transbordando tal aroma aconchegante. foi o som de seu celular que a arrancou de seu transe.

leu sua esperada e também esquecida resposta, abraçou o casaco com a maior força que pôde encontrar e fechou seus olhos em deleite. realmente, esse curto momento havia sido melhor do que o tempo inteiro que havia passado junto com ela.

alice

Written by

alice

qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência (ou não)