O que eu aprendi com o fim

Eu não lembro exatamente o dia em que o conheci. Mas lembro que chovia e que tudo que eu queria era ser aquela gota que pingava do seu cabelo e ia em direção a sua boca. Mesmo fazendo frio ele tinha essa capacidade de ser uma alma quente pronta para aquecer os mais gelados corações.
No dia seguinte, ele estava lá de novo. Seco. Mas com os mesmos olhos cheios d'água que imploravam para que eu me deixasse afogar.
Cedi.
Soube que estava em apuros quando seu rosto se tornou o meu primeiro pensamento ao acordar e o último antes de adormecer. E eu me lembrava de cada milímetro. Desde a curva que sua boca fazia quando sorria, até a ruguinha de preocupação em sua testa.
Quando ele me disse que estava indo embora, foi como se milhares de agulhas perfurassem o meu coração. Eu já lhe falei da sua voz? Ele tem a voz mais doce e acalentadora que alguém pode ter. Ouvi-lo falar é como ouvir um anjo. E talvez tenha sido esse o motivo de parecer apenas a passagem triste de um livro. Como se a certeza de um final feliz fosse iminente.
Tentei imaginar um mundo sem ele e falhei miseravelmente. Talvez todos nós tenhamos uma cota de felicidade e eu já tenha gasto a minha.
"Tente não chorar um rio por mim"
Ele dizia.
Sem saber quantos oceanos eu já havia chorado por ele.
Não acredito em metades de laranja ou presentes do destino. Acredito que as pessoas vem e vão. E tudo o que nos resta é agradecer a ordem natural do universo.
Eu não sei se existem outros como ele, mas acredito que cada pessoa deveria conhecer alguém assim.
Não é todo dia que a gente encontra alguém que nos mantém confortavel apenas por estar em silêncio.
E se um dia você encontrar, nunca o deixe ir embora.
Porque basta um segundo para que ele escape por entre seus dedos.
E quando você se dá conta, ele se foi.
E você está ali novamente.
Completamente sozinha.
