O vazio também transborda.

Você já sentiu como se não fizesse diferença na vida das pessoas?

Como se fosse uma peça sobrando nesse grande quebra-cabeça?

Sigo andando entre passos e tropeços por ruas que há muito desconheço. Sentindo a frieza dos meus dias congelar até mesmo o incêndio que carrego no peito. Minha alma anseia pelo abraço que em teus braços me farei derreter.

Sinto falta de me envolver com alguém.
E não falo de uma forma romântica, não.
O amor vai muito além beijos avassaladores e corações palpitando. 
Falo de ser aquele refúgio de paz em meio ao caos dos dias corridos.
Ser essa alma quente no meio de mil outras congeladas. 
É como se eu fosse um quadro incompleto e não houvesse nada que pudesse me preencher. 
Essa faltas, essas falhas, são pequenos abismos entre o que eu sou e o que deveria ser.

Você já se sentiu menosprezada? Relegada ao papel de coadjuvante da sua própria vida?

Então sabe que isso não é sobre os outros e como eles te tratam. E sim sobre como você se sente sobre quem você é. Repetimos tanto que estamos bem, e acabamos esquecendo que nós somos esse grande mosaico de dias bons e ruins.

Por fim, não se engane pensando que quero alguém para corresponder minhas expectativas e preencher minhas partes vazias. Preciso aprender a ser inteira sozinha. Para então me dividir num peito qualquer.

Porque no fim do dia, tudo o que eu tenho sou eu mesma.
E isso tem que ser suficiente.

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