Primeiro Contato

Imagine um mundo onde existam seres que vivem, mas não falam, que vivem, mas não se mexem, que se mexem e falam, mas não vivem, onde os animais, as plantas, as pessoas e aliens se esbarram diariamente, mas não se veem, esse é meu mundo.

Vivendo um mundo que não é seu, uma realidade que não te pertence, tudo já estava aqui antes de mim e continuará aqui depois que eu for o que eu estou fazendo aqui é a pergunta, como eu vim parar nesse lugar eu me pergunto, toda manhã é uma guerra.

A rotina é uma prisão, e cada um de nós, animais, plantas ou gente são puxados para dentro desse ritmo acelerado da vida cotidiana contra sua vontade.

Um alienígena vivendo num mundo que não lhe pertence, onde as regras não lhe fazem sentido, mas que é obrigado a conviver. Sou o único alienígena num mundo de gente, sou a única gente num mundo de alienígenas? Ou será que todos somos iguais, e eu sou o único que não finge ser.

Na rua observo o ritmo, as pessoas, as coisas, os animais, as plantas e enxergo a relação de tudo com tudo. Aparentemente só eu vejo, a babilônia te engana, te prende e te maltrata, a babilônia é a verdadeira prisão dos seres vivos nesse mundo do qual eu pertenço.

A vida que nos é imposta é uma mentira, nossas vontades, nossos quereres, nosso ser, nada é verdadeiramente nosso, nós somos a matéria prima de uma manufatura, nosso fim último é pertencer ao exército de manufaturas, ser como seu semelhante, agir como seu semelhante e pensar como seu semelhante, durante toda nossa vida somos levados a nos encaixar dentro desse exército de ninguém, eu não aguento, eu não quero, eu sou um alien.

Um alien, um alien com minhas próprias indagações, com minhas próprias interpretações de mundo, com meus próprios ideais, um rebelde, uma abominação, uma falha do sistema. Não suporto em viver nessa realidade criada pelos vencedores de guerras passadas, aqueles que escrevem a história à sua maneira e impõe como verdade a sua verdade.

Eu já estive aqui antes, vi isso nos meus sonhos, neles vejo pessoas que já morreram me contando histórias, vejo realidades alternativas fruto de decisões passadas diferentes, vejo o futuro do Ser não sendo mais nada, assim como vejo o Ser sendo tudo o que pode ser, da maneira que quer ser.

“Parece loucura, não sei explicar, a verdade mais pura, eu não consigo amar”.

Sei que não sou o único, mas sinto como se fosse. Sei que existiram, existem e existirão mais como eu, presos nessa loucura, sufocados, amargurados, decepcionados, frustrados… Seres vivos, animais, plantas, gente que não aguentam viver nessa invenção e que são colocados ao limite a cada ato de respirar, seres que não se encaixam, seres que não querem se encaixar seres que só querem ser, ser como quiser ser, sem regras, sem constrangimento, sem sanções, sem modelos, apenas ser, apenas existir, cada dia à sua maneira, cada dia ser um novo ser.

Apesar desse desabafo me trazer o mínimo de alívio acredito que será capaz de encontrar novos aliens, nada disso é o que eu queria que fosse, tudo que expus já foi exposto, ainda não sou capaz de entender o que se passa no fundo do meu ser, espero um dia poder ver e escrever aquilo que causa a verdadeira amargura no meu ser, e que no início de cada dia devo esquecer para conseguir viver no mundo das mentiras, das máscaras e fantasias, dos seres vivos que não vivem, dos seres que estão mortos sem saber.

Melancólico, você vai dizer depois de ler. Não era meu intuito trazer esse sentir a você que pagou seu tempo para ler, pois afinal, até o tempo virou produto, quem dirá o seu ser.