Sem design, não há desenvolvimento

A criatividade e o pensamento crítico como chaves para a inovação

por Priscilla Scurupa


Vivemos a era da economia criativa. Cada vez mais, o motor da economia são os bens intangíveis, isto é, a produção simbólica, numa crescente acumulação de riquezas geradas por atividades que unem talento, criatividade, diversidade e capital intelectual. E, no centro dessas mudanças, está o design que, além da estética, agrega valor e relevância a produtos, serviços e processos por meio de uma metodologia específica, o design thinking.

O design thinking como processo

Um dos principais entusiastas desse sistema de pensamento é Tim Brown, CEO e presidente da IDEO, empresa de design e inovação. Em artigo publicado pela Universidade de Harvard, ele explica que, historicamente, designers sempre estiveram no final do ciclo de inovação, colocando apenas um “embrulho bonito” em uma ideia já desenvolvida.

“Essa abordagem estimulou o crescimento do mercado, tornando novos produtos e tecnologias esteticamente atraentes, mais fáceis de usar e, portanto, mais desejáveis para os consumidores. Mas isso tornava o design apenas uma ferramenta em prol do consumismo”, diz.

Atualmente, no entanto, o design ganha uma importância muito maior e enfrenta um novo paradigma. As empresas não querem apenas que designers tornem seus produtos mais atraentes, “mas que também desenvolvam ideias, processos, serviços e novas formas de comunicação e interação que correspondam aos desejos e necessidades dos consumidores”. Nesse modelo, centrado no ser humano, os valores são diferentes.

Outro defensor de uma nova função para o design é o diretor da Rhode Island School of Design, John Maeda. Para ele, o avanço tecnológico por si só não é mais capaz de gerar produtos e serviços que as pessoas sintam prazer de usar.

“Quanto mais tecnologia temos, mais importante tornam-se a simplicidade e o bom design. A empatia está se tornando mais relevante do que a eficiência”, afirmou em entrevista recente.

Ou seja, mais importante do que criar novas funções para smartphones e tablets, por exemplo, é criar questionamentos, entender comportamentos e culturas para gerar experiências significativas.

A tecnologia gera possibilidades; o design gera soluções; a arte: gera questionamentos; e a liderança gera ações

Maeda destaca que, principalmente nos EUA, há um crescente reconhecimento na comunidade tecnológica de que o design é o que diferencia produtos e companhias inovadoras. Desde 2010, por exemplo, mais de 27 startups criadas por designers foram adquiridas por gigantes como Google, Facebook, Lego e Toshiba.

Isso porque, esses profissionais são líderes criativos que dão prioridade à inspiração em lugar do medo, valorizam mais as redes de relacionamento do que a hierarquia estrita, enfatizam mais a interação do que a finalidade, e o mais importante: conectam o velho ao novo com o objetivo de inovar com relevância.

O objetivo é estabelecer uma correspondência entre o que é antigo e as novas tecnologias para gerar relevância

Segundo Brown, essa é a razão pela qual é de extrema importância que cada vez mais áreas do conhecimento adotem o design thinking como metodologia e passem a aplicá-lo nas diversas áreas de negócios, tornando-o, dessa forma, uma cultura corporativa.

As rápidas mudanças nos levam questionar constantemente vários aspectos fundamentais da nossa sociedade — em relação à saúde, política, educação, segurança.

“E para encontrar essas respostas, é preciso fugir da abordagem tradicional, explorar novas alternativas, novas soluções, ideias que não existiam antes”.

Assim, poderemos resolver questões maiores, mais interessantes e causar mais impacto no mundo.