um monte de sentimentos inúteis.
Uma hora ou outra você é obrigado a abrir os olhos e enxergar as pessoas de maneira bem crua. Às vezes, isso é obrigatório para passar de fase na vida. Eu sinto que por muito tempo remoi um conflito dentro de mim. Uma mistura de raiva, dor, ressentimento, amor e amargura. É horrível sentir isso referente a uma pessoa.
A minha válvula de escape sempre foi o afastamento. Se afastar é a melhor maneira de não me envolver com sentimentos que não gosto de sentir. Mas com 31 anos nas costas, não dá pra fugir sempre que pinta aquela dorzinha no peito. É necessário enfrentar, nem que seja por auto-análise.
Avaliando aqui, nem sei dizer o que a pessoa me fez. Se tornou uma bola de neve tão grande que não consigo falar “foi isso”. É o grande mal da mágoa. Ela chega sem perceber, arruma um cobertorzinho e fica ali, no canto do coração, corroendo suas dores. Quando você vê, ela já dominou o cômodo, já está ouvindo Evanescence e cultivando as sementes da destruição.
Mas dói fazer o despejo. E não é algo do dia pro outro para ser resolvido, dura dias, meses e até anos. E tem gente aí que vive uma vida inteira sem dar a ordem de evacuação.
Como disse no começo do texto, é muito doído enxergar as pessoas cruas. Saber que o conto de fadas criado na mente é fantasia e balela pra boi dormir. E que no fim, as pessoas são egoístas a maior parte do tempo — inclusive eu. Mas além disso, elas caminham na linha tênue da desumanidade e desapego.
Eu me aborreço, finjo trégua e até ameaço uma rendição. Mas no fundo, dói ver que a admiração se foi faz tempo e o que sobrou foi uma onda de desgosto.