Promessas pra mim mesma

Esse ano o meu aniversário chegou e, pela primeira vez da vida, me senti estranha. Nos anos anteriores, a chegada de Novembro era repleta de expectativa, animação e contagem regressiva. Nesse ano, apesar de tentar muito, aquela mágica do aniversário se transformou em algo diferente. Ontem acordei com meu tradicional café da manhã na cama e um “Parabéns para você” performado pela minha mãe e irmãs, como de costume. E, ainda que estivesse feliz, me senti estranha novamente. 
Os 27 chegaram com um peso diferente de todos os outros anos. Talvez porque no último ano tenha tomado decisões que me deram mais autonomia e liberdade sobre o meu próprio caminho, mas, com isso, veio também uma carga muito maior de responsabilidades, medos e incertezas.
Comecei a me perder naquela mistura de querer estar feliz e me entregar de vez à tristeza de estar ficando mais velha quando me lembrei de um método extremamente eficaz de organizar os pensamentos: a louça na pia. Por sorte, estava bem cheia depois de toda a esbórnea do final de semana. Olhei para pia e mentalmente setorizei aquela bagunça: primeiro as taças, para não correr o risco de serem quebradas, depois os talheres, já que já estavam ali por cima e, por fim, pratos, travessas e panelas — nessa mesma ordem, para que encaixassem bem no escorredor. Enquanto lavava a louça pensei nos meus últimos dias (que foram super festejados, apesar do estado de espírito) e no dia de ontem. As comemoração começaram já na quarta passada com um verdadeiro banquete de coisas gostosas na casa dos meus tios, com presentes que só quem me conhece bem pode me dar. Na quinta, já tive café na cama, preparado com todo carinho e amor. Quinta de noite fui levada a um lugar especial, com pessoas especiais. Voltei pra casa e me juntei à festinha da minha irmã. Cantei com gente que não conhecia e que hoje já considero amigos. Fiz minha irmã dançar a música do aniversário e fui dormir feliz porque o dia dela estava chegando também. Com a sexta-feira 13, veio o Aniversário da Ana Luiza, mais comemorações no almoço, encontro com amigos à noite. Chegou sábado e mais festa. Domingo, mais comemorações, mais amigos, mais perto do dia 16. A segunda raiou com o peso da pergunta “e aí? o que você fez de tão bom nesses últimos 365 dias que façam jus à toda essa comemoração?”. Despertei sem saber essa resposta e continuava sem sabê-la enquanto enxaguava o sabão dos pratos.
De fato, os últimos 365 poderiam ter sido muito melhores. Poderia ter me esforçado mais. Poderia ter definido melhor alguns objetivos. Poderia ter feito o que eu disse que faria.
Terminei o dia com velinha em cima da torta de frango, espumante, tim-tins e cartinhas. Deitei já cansada e, com a luz apagada, me vieram à mente todas as mensagens, carinhos e ligações que recebi ao longo do dia de gente e de todo canto (até do Kosovo!). E, então, assim como resolvi a louça, fui resolvendo meu nó e, a cada lembrança boa, sentia como se ele estivesse afrouxando. 
Posso não ter feito muita coisa certa no último ano, mas acertei em manter por perto (mesmo que às vezes fisicamente longe) uma porção de gente extremamente importante e que, mesmo sem que soubessem, mais uma vez me fizeram feliz, fizeram com que me sentisse especial e com vontade de, no ano que vem, ter mais motivos para comemorar. Pros próximos 365 eu já defini que vou ser a melhor versão que puder de mim mesma e vou levar as minhas promessas pessoais mais a sério. Afinal, não vai faltar companhia pra comemorar novas conquistas e chorar em correções de rota.

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