Ca minho

Sobre, sob, entre as águas dos meus sonhos.

No manto das minhas mães das águas que alumiaram o início do meu dia de ontem, dessa madrugada ainda desperta, de amanhã e dos caminhos. Verso o verso que me toca a alma e pulsa e canta e grita e fala, diz: não separe por vírgulas o que pode unir a ti e tens em ti. Serena, sereio a lembrar que em mar e águas me sinto profunda, repleta, completa, desperta. Seja em água, da doce, da alva, da salgada, despida, sagrada divina profania de ser estrada, caminho, verso, letra, fluida, água. Não toco o objeto, me sinto reflexo, me vejo escorrer do ventre, do sangue, da saia, do vento, da vaia, pulo, verso, bebo, traço o traço, sigo, mexo, crio, deixo…verso, escrevo texto…salto, leio e transcrevo o descaminho em trilhar caminhos recolhendo as uvas que mais amo pela estrada agora/afora. Tomo, trago, transpiro, transmito. Fumo o ar e me ouso ao ar desses versos que indicio e publico de ondas e sonhos!

“Não estou pronta a viver tudo de uma vez

Sem um pouco de ilusão

Não.

A vida e esse passar de ondas

Estradas que apontam

Sonhos!

A vida e esse trilhar de caminhos

Nem partidas, nem a chegada

Depois do gole seco da cachaça

É o cultivar sua taça de vinho”.

Descaminho. Sobre Minhocas e Pássaros, Adriana Gabriela.

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