Porque viajar é uma forma incrível de conhecimento
Viajar é o principal sonho de consumo de 3 em cada 10 brasileiros, segundo pesquisa do SPC Brasil e do portal Meu Bolso Feliz. Se todos tivessem a chance de transformá-lo em realidade, talvez o resultado da pesquisa fosse um pouco diferente: o sonho de 10 em cada 10 brasileiros seria viajar mais. Quem tem a chance de ampliar seus horizontes tende a querer repetir a dose.
Mais do que o descanso merecido em época de férias, a chance de relaxar na beira da praia ou a oportunidade de marcar presença em atrações icônicas mundo afora, viajar é uma forma única de adquirir conhecimento. Ao fazer as malas e partir para o desconhecido, tem-se a chance de não apenas descobrir mais sobre os lugares visitados, mas também sobre si mesmo.
A força de vontade e o autoconhecimento

Quem gosta de viajar normalmente curte também aquele período de planejamento, quando, antes mesmo de zarpar para o destino escolhido, já se vê mergulhado na necessidade de traçar roteiro e de pesquisar preços de passagens aéreas. Bem, aí é o momento em que, feito as contas, é preciso passar a cortar gastos e a aprender a economizar.
Dizer “não” para uma série de tentações que surgem no dia a dia — aquele show há muito tempo esperado, uma roupa incrível na vitrine da loja ou um corriqueiro happy hour com os amigos — exige muito empenho. Quem não nasceu em berço de ouro precisa abrir mão de alguns pequenos prazeres e mordomias em nome do objetivo maior: a viagem.
E quando estiver de fato com o pé na estrada, o sentimento “isso-tudo-que-estou-vivendo-é-fruto-dos meus-esforços-e-do-meu-trabalho” será extremamente recompensador. Testar sua força de vontade, sua capacidade de traçar um objetivo e de concretizá-lo é um exercício extraordinário de autoconhecimento. “Querer o que se pode, é liberdade sim”, já diria a canção.
O conhecimento adquirido in loco

Com uma pitada mínima de interesse e de curiosidade é facilmente possível encontrar informações sobre todo e qualquer lugar numa rápida busca na internet. Que línguas se falam na Bolívia além do espanhol? Quais foram os primeiros povos a colonizar Nova York? Será que algum vulcão na Itália ainda entra em erupção?
As respostas a essas perguntas são encontradas com dois ou três cliques no Google, mas qual seria a sensação de obtê-las in loco, ao visitar esses destinos? Sem dúvidas, compreender a realidade social, a formação histórica e os aspectos culturais de um local são alguns dos motivos que tornam viajar algo tão extraordinário. Quando se aprende sobre esse universo conversando com nativos ou visitando museus, é como se, de alguma forma, aquilo tudo também passasse a fazer parte de quem você é.
E a probabilidade de esquecer o que se aprendeu no próprio local certamente é menor comparado às suas breves pesquisas online ou ao amontoado de conhecimento adquirido na escola. Visitar um campo de concentração, seja na Alemanha ou na Polônia, é a melhor lição de História sobre Holocausto e Segunda Guerra Mundial que alguém pode ter. E sabe todas aquelas vagas lembranças a respeito da Inconfidência Mineira? Basta uma visita a Ouro Preto, em Minas Gerais, para que o viajante nunca se esqueça dos detalhes do movimento separatista de Tiradentes.
O conhecimento a respeito dos outros e sobre si mesmo

Viajar talvez seja a melhor oportunidade de conhecer pessoas de outros países, especialmente se você priorizar atividades que reúnam outros viajantes. É provável que com uns você troque meia dúzia de palavras, com outros combine uma balada à noite, e que com alguns se identifique a ponto de manter uma relação mais duradoura. Não importa. Essa troca é uma das experiências mais enriquecedoras de uma viagem, e mesmo que você nunca mais veja essas pessoas, elas se tornarão inesquecíveis à sua maneira porque foram parte de um momento singular.
Nessas breves, porém enriquecedoras conversas, você aprende um pouco mais sobre a realidade de diferentes lugares, percebe o que estrangeiros pensam sobre o seu país e tem a chance de descobrir um destino interessantíssimo do qual nunca saberia, não fosse ter parado para prestar atenção no que o outro tem de conhecimento a compartilhar. E tudo isso pode ser ainda mais enriquecedor se for feito em outro idioma, afinal, essa é a hora ideal para pôr em prática todo aquele aprendizado das aulas de inglês.
E, enquanto você descobre mais sobre os outros, também acaba descobrindo mais sobre si mesmo. Sabe por quê? Porque viajando, sobretudo se estiver fazendo isso sozinho, você se desprende de todos os papéis que desempenha no dia a dia (o filho, o estudante, o funcionário) e se mostra aos outros apenas como é de verdade. Quem sabe seja essa a razão da reconhecida afinidade sentida entre certos viajantes? Eis aí duas pessoas que puderam se conhecer na essência.