Amar, amei. Gostar, gostei. Mas, e agora?

Acredito que todos nós passamos em algum momento da vida por um hiato amoroso. Aquele período que você não ama mais a pessoa que passou, mas também não está gostando de ninguém novo. Dá um certo vazio, não dá? Parece que falta algo para completar o nosso dia.
Nessa fase de coração vazio mora um grande perigo que eu chamo de: amor fantasia.
O amor fantasia é aquela pessoa que você gosta só para fantasiar. Você realmente desenvolve sentimentos por ela, se apaixona, pensa nela e cria diversas fantasias e possibilidades.
Daí você me pergunta: tá Aline, mas isso é gostar de verdade. Como que você pode chamar de amor fantasia algo tão lindo e puro?
Simples meu caro, porque você está projetando, literalmente, fantasias. Você não está sonhando com a última vez que vocês conversaram e recapitulando as coisas. Você está criando situações que tem 99% de chances de nunca existirem. E seu cérebro, que é muito mais inteligente que você como um todo, lá no fundo sabe disso. Eu tenho certeza que suas fantasias não são coisas como: nossa, imagina eu aqui no trabalho agora e ele me manda uma mensagem dizendo: hoje tá foda, não vejo a hora de terminar o dia.
NÃO! Você fantasia com declarações de amor, viagens, abraços longos e noites de sexo incríveis que deixaria qualquer autor de mom porn com inveja. Seu cérebro não faz você fantasiar com algo tangível, ele faz você virar aloka que cresceu vendo contos de fadas da Disney mixados com Pork e Elvira na sessão da tarde.
Você é um caos ambulante neste momento e seus neurônios sabem disso.
(Para aqueles que estão lendo e não são geração millenium, crie suas próprias refs em suas mentes. Grata.)
Seguindo, me autoanalisando eu cheguei a conclusão que esse amor fantasia precisa de alguns fatores para acontecer.
O primeiro é o hiato sentimental. Você está lá a muito tempo sem gostar de verdade de ninguém. O povo entre e sai da sua vida e faz várias diferenças alguma. Você começa a sentir falta do sentimento gostar e não necessariamente de uma alma gêmea.
Segundo, aparece alguém que fez algo diferente dos outros para chamar sua atenção. Não foi mais uma trova comum, uma resposta aos stories ou uma curtida nas fotos. A criatura foi diferente e fez você se sentir especial.
Uma observação, talvez a pessoa nunca saiba que fez alguma coisa tá? Temos a capacidade de se apaixonar por pessoas que tem zero interesse em nós.
Terceiro, no momento que você começa a sentir alguma coisa você automaticamente já sabe que tem algo errado. Você simplesmente sente que alguma coisa ali não é bem o que aparenta ser. E nós, como bons seres humanos que somos, ignoramos por completo esse sentimento e vamos a caminho do precipício de emoções.
A partir daqui é sofrência, e não daquelas boas do sertanejo. É sofrência platônica e burra. Nós criamos um mundo por completo em nossa mente. Diálogos, situações, brigas, pazes, tudo! E com isso desenvolvemos nossos sentimentos pela pessoa, que pode ou não saber que está rolando qualquer tipo de afeto por ela.
O foda é que nessa fantasia toda nós também criamos a personalidade da pessoa conforme gostaríamos que fosse, mas que, talvez, não se assemelha com a realidade. Digo, óbvio que muitos pontos batem, afinal você se “apaixonou” pela criatura, mas muito do que acontece na nossa mente é apenas uma projeção de nós mesmos.
Sonhar, sonhei. Me iludi e me ferrei.
Vamos combinar que toda expectativa que criamos é só para quebrar a própria cara. Eu seu quando estou tendo um amor fantasia porque, bom, eu fantasio com a pessoa. Mas o principal ponto é que eu não estou com a ela.
Eu não estou convivendo, conversando, trocando ideias sobre o futuro, beijando aquela boca macia e suculenta e ganhando as declarações de amor seguidas de longos abraços que minha mente faz parecer tão incríveis.
Eu não tenho um relacionamento com o ser, mas eu gostaria, mesmo sem saber se é bom ou não ter algo mais íntimo com ele.
Eu sei que vou seguir pensando, fantasiando e querendo a pessoa. Porém, eu também sei que no momento que surgir um cara legal (no meu caso é homem mesmo, infelizmente sou hetero) o “sentimento” vai sumir.
Aline, como você pode ter certeza disso? Como você sabe que tudo vai sumir assim tão facilmente?
Simples, porque eu vou ter algo real. Eu vou ter lembranças de momentos e vou pensar no que quero fazer com pessoa no próximo sábado. Não vou criar situações de grandes emoções, porque não será necessário. Eu vou estar simplesmente curtindo cada momento com a pessoa.
Amar, amei. Fantasiar, fantasiei. Mas agora eu só quero seguir em frente e deixar as portas abertas para alguém que vá somar na vida real e não nas noias e histórias mirabolantes dentro do universo que gira na minha mente.
E você, vai desapegar da fantasia hoje ou amanhã?
