Hoje na hora do almoço peguei dois pratos, mas você não estava aqui. Tola, pensei.

Hoje também preparei a casa para sua chegada, borrifei o aromatizador que gosta, arrumei suas coisas, deixei tudo em ordem. Mas esqueci que a bagunça mesmo está dentro de nós.

Hoje também pensei por muito tempo sobre a possibilidade de nos mudarmos, pra ficarmos mais perto do seu trabalho e tornar seus dias menos estressante. Mais tarde percebi que primeiro precisamos reencontrar nosso caminho.

Hoje também passei o perfume que usava quando nos conhecemos, na ingênua esperança de despertar aquela paixão dos primeiros encontros. Mas acho que não funcionou.

Porque hoje, apesar de tudo, hoje você me deixou.


Pegue a sua dor e transforme em arte.
Pinte um livro,
Escreva uma pintura,
Cante um silêncio,
Escute um vazio.

Faça algo com ela.
Chore se preciso for.
Mas não se cale, não tranque, não amargue.


Ou que eu acho que preciso

Não sou do tipo acumuladora, mas respeito meus momentos de querer estocar algumas coisas.

Ao menos uma vez por mês, as vezes até uma por semana, me vejo desapegando de tudo o que eu posso. Minha casa está sempre organizada, sem entulhos ou coisas que não faço uso. É como se a minha alma precisasse ficar leve. É como se tudo o que tiro da minha vida, seja material ou sentimental, elevasse a minha paz interior. É a liberdade sagitariana explodindo dentro de mim!

Porém, contudo, todavia, possuo um comportamento estranho ao lidar com a aquisição de itens que nem sempre são de necessidades básicas, mas que desenvolvi um afeto, paixão, desejo ou algo semelhante. Eu nunca consigo comprar apenas um item de algo que gosto muito, por exemplo. Preciso levar de dois a três para garantir que não acabem antes de eu poder voltar a comprá-los, ou no pior dos casos, não existirem mais. …


Ser homem

Ser bicho

Ser quem eu consigo

Ser terra, água, fogo e ar

Ser e estar


“Não quis te acordar. Fui pra academia. Tem café. Te amo.”

Levanto

Pego o café

Ela volta e logo, novamente se vai

Da varanda, bem aqui de cima, a sigo com olhos

Se foi

Que Deus a traga de volta

Tempo passa, pesado, lento

Deus me ouve

Ela chegou

Amanhã de novo

tudo igual

Amém


Tranco a porta e deixo o caos lá fora

Ora, ora

mas que hora

Buzinas, faróis e nós

a sós

Bate o vento leva os nós

Desata, desnuda e muda.


16:16

A hora parece estacionada

Mas o dia está claro lá fora

Escuro é aqui, onde não consigo enxergar nem a mim

Penso, penso e penso

em nada

Sinto, sinto e sinto

a angústia da espera e as incertezas da vida

Corre, menina!

Pra onde?

Pra algum lugar em que a hora voe e não se perceba

Pra cá

Pra lá

Pra longe

Até já


Sentei

Vejo de longe seu caminhar

Anseio por um olá

Passa,

mas fica em mim…


Image for post
Image for post

Comer é muito melhor do que ficar só olhando, quanto a isso não há questionamento. Mas eu adoro assistir filmes que tenham uma pegada gastronômica, de preferência com muito bacon e fotografia perfeita, bem no estilo food porn.

Mesas de banquetes alucinantes, cenas deliciosas em close exibindo cada etapa do preparo de um prato, pessoas reunidas em volta da mesa gozando da mais pura felicidade com suas taças de vinho que parecem nunca ter fim.

Ai, ai, ai… Já sinto um mal estar de tanta fome ao imaginar aquele spaghetti sensacional que Liz Gilbert devora em Comer, Rezar, Amar. Às vezes durmo sonhando com o boeuf bourguignon que Julie Powell prepara em Julie & Julia. Saí do cinema querendo a todo custo provar o sanduíche cubano feito por Carl Casper em Chef, e quis saquear toda a padaria de Jane em Simplesmente Complicado. …


Image for post
Image for post

O silêncio é tão ensurdecedor quanto o barulho. A diferença é que em um ouve-se os gritos da alma e no outro o caos do mundo.

Não imaginava o quanto sentiria ao me colocar em uma situação de total desligamento. Não é só a falta do Wi-Fi, é o medo de ouvir o que o coração adiava dizer.

Não sei explicar. Esse silêncio chega a doer o ouvido.

Fico tentando ser levada pelos pensamentos mais fúteis e descompromissados, para que não tenha que ouvir o que realmente a alma tem para dizer.

Não é ruim, veja bem, é diferente, inusitado e um pouco assustador. Acho que nunca estive tão próxima de Deus e do universo. …

About

Aline Dias

Faço umas artes, tiro umas fotos, escrevo umas coisas, invento moda. www.alinedias.com.br

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store