Eu feia
Eu feia dentro da migalha afetiva oferecida dentro da sociedade brasileira
A mulher negra, parda, mestiça, não branca sofre agressões e violências diárias de diversas maneiras mas vale aqui falar sobre auto estima. No olhar do brasileiro EU SOU UMA MULHER FEIA. RAÇA DETERMINA AFETO. A validação social do homem ao assumir e exibir para a sociedade SOMENTE uma mulher branca é uma questão que machuca mulheres negras, mestiças e não brancas em todo Brasil. A cultura imposta de que a mulher branca e somente a mulher branca É VISTA COMO A MULHER “QUE VALE A PENA” é um fato consumando que ocorre EM todos s lugares da sociedade . Eu no Brazil “ não valia a pena” para os caras da minha igreja, para os caras da academia, para os caras do meu bairro, eu e a minha etnia não ocupava o espaço da mulher que valia a pena, subEstimando minhas capacidades, minhas habilidades e meu valor. Vivi limitada desde sempre, desde adolescente, por um racismo velado. E ainda fui julgada e criticada quando encontrei A MINHA PRÓPRIA MANEIRA de não me submeter a esse único espaço SUBALTERNO que era IMPOSTO a mim.
Afetividade da mulher NÃO BRANCA é um assunto humilhante, torturador e que machuca TODAS essas as mulheres E NINGUÉM DISCUTE ESSE ASSUNTO. Crescer não branca num bairro de classe media brasileira me fez ser vista como uma aberração por não ser representada nos espaços de afeto somente nos espaços de servir, seja sexualmente e domesticamente.
CRESCER NAO BRANCA em um bairro de classe media brasileira foi uma experiência muito forte para mim por toda a minha vivencia a ponto de eu chegar a conclusão que não HAVIA MAIS CONDIÇÕES de viver naquele lugar. A minha vivencia me auxiliou e me deu força de tomar decisões que muitas não teriam coragem e também me levou para um ambiente onde sou reconhecida pelas minhas capacidades, sou admirada pela fantástica mulher que sou, independente da minha etnia. Eu reconheço o privilégio que tive de frequentar espaços totalmente brancos como as escolas mais caras da cidade, igrejas de pessoas brancas de classe media, e academias de jiu jitsu de bairros de classe media, porém não nego que minha presença ali não era tolerada e muito menos respeitada.
“…para progredir, certifique-se — primeiramente — de que, na verdade, você não esteja só cercado por idiotas.”(Albert Einstein)