O “abrir-mão” feminino no relacionamento…

Tenho ouvido nos últimos tempos varias mulheres se questionando sobre felicidade e vida plena e em comum todas elas tem o mesmo discurso: “eu abri mão de certa coisa’’. Na minha experiência de vida eu tive que abrir mão de muita coisa desde muito nova, mas as coisas que abri mão foram em função de mim mesma e de me beneficiar com outras experiências mais enriquecedoras.

Nós mulheres nascemos dentro de uma cultura machista e somos educadas a sermos submissas aos homens, e logo depois aos filhos. Aquelas frases comuns, eu não pude fazer aquela faculdade que queria por que tive filhos, eu não fui morar na cidade dos meus sonhos porque meu marido tem um trabalho nessa cidade que eu moro, e assim os planos da mulher vão sendo sempre anulados, esquecidos, subjugados.

Esse abrir mão significa se renunciar, se auto-flagelar, se submeter, e não temos garantias nenhuma de que isso nos trará algum resultado positivo. Eu não fui criada para ser sombra de marido e não importa onde ele trabalhe eu ainda vou decidir morar aonde EU QUERO morar. Os filhos crescem, e tem que ser preparados pro mundo, e quanto mais decidida, forte, instruída, viajada, bem-sucedida, trabalhadora, independente emocional e financeira eu for, o exemplo de vida que passarei pros meus filhos será de mais força e não de uma parasita financeira que se encostou atrás de um macho e da grana que ele foi capaz de fazer. Eu tenho capacidade de fazer o meu, de lutar pelo meu espaço, de decidir ONDE será o meu espaço. Casamento e filhos devem ser entendidos como bênçãos e não âncoras que deixam a vida da mulher estagnadas.

Eu jamais vou abrir mão de mim, dos meus projetos, dos meus sonhos, e se algum dia o fizer, será por fraqueza reconhecida minha mesma, não creio que culpar ( ou usar de desculpa ) os outros, como marido e família pelas próprias limitações impostas por nós mesmas seja o melhor caminho. Tem também aquele grupo de mulheres que vivem em relacionamentos abusivos oprimidas pelo próprio parceiro de crescer e evoluir, e como todo “bom” relacionamento abusivo, elas mesmas não conseguem se enxergar dentro de um relacionamento abusivo, essas são as mais fracassadas, as que mais se renunciam, pois sofrem chantagem emocional do parceiro o tempo todo ameaçando dar fim ao relacionamento. O parceiro ideal vai te apoiar no seu sonho mesmo que ele more no Acre e seu sonho esteja na China. Quem está junto não necessariamente tem que estar perto á disposição, aí já nem papel de esposa a mulher submissa está fazendo, ela passa a ser rebaixada a serviçal doméstica e/ou sexual.

Homens covardes se sentem incomodados com mulheres fortes, decididas, plenas, independentes, pois a autoridade deles ali não funciona, e nem tem que funcionar em relacionamento nenhum. Eu jamais me casaria para acatar ordens, muito menos ceder á chantagens. O ser humano nasce provido de capacidades próprias onde ele deve levar sua vida para desenvolver essas capacidades, isso se chama evolução. E essas capacidades não tem que estar necessariamente atreladas á cidade do trabalho do meu marido. Viver em função das decisões da vida de uma outra pessoa não é apropriado e não se tem garantia nenhuma de que essa pessoa vai estar sempre ali com a gente.

Nascemos e somos instruídos para sermos bem-sucedidos nas coisas que escolhemos e a geografia desse sucesso não pode estar atrelada à um relacionamento, ou um relacionamento não tem o direito de atrapalhar, atrasar a geografia desse sucesso. Se mutilar, se flagelar e jogar uma vida fora sendo uma ameba, uma sombra, um parasita não é sinônimo de força e nem de sucesso, muito menos exemplo a se dar pros filhos.

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