(Tentativa de recuperar uma crônica perdida, não deu muito certo… aqui estão reunidos alguns rabiscos da tentativa de reescrita)

Refaço por memória esta crônica perdida, pois que a história não me quer deixar. Refaço da memória que péssima como é, me impede de resgatar o que foi a primeira escrita. Refaço por olhar da janela que me volta a passagens sempre e nunca vistas.

Sobre passagem. E diante de mim uma rua, cheia de lembranças que a memória não dá conta de alcançar. A rua antes viva de gente e que hoje é só silêncio e janelas fechadas. O tempo levou consigo as horas em que se podia estar livre, levou toda aquela gente também. Eu já não passarei por essa rua que abriga a casa 19, e que um dia foi o meu refúgio…

Agora volto no tempo. Refaço o caminho que me levou a escrever esta crônica, a dois anos atrás.

Aquela rua é um rapaz bonito, que já não faz mais a barba, não poderia… é a rua daquela senhora que corta seus próprios cabelos, a rua de uma casa que nunca fora comprada, é a rua da Olga que já foi jovem um dia. A rua que me faz respirar profundamente, porque o destino é longe…

Olga. Eu a vi em sua cadeira de balanço, observando com os olhos perdidos o tempo que já não tem, observando apática, sentada na sua cadeira, agora do lado de dentro da casa, do lado de dentro, o que se passa do lado de dentro?Não sei. O que sei é que já não me reconheces, e os olhos perdidos se voltando pra mim, eu me perco também. A rua permaneceria imóvel se não fosse eu, mas, naquele momento, eu estava imóvel também . Não, eu não me iludo. O movimento é constante, até quando achamos que não. Passagem. Meus pés refletem imóveis sobre a rua, sobre o asfalto quente. Devo seguir. E como tudo que passa, eu devo passar também.

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