Aline

As vezes eu preciso sair de casa, parar em qualquer boteco, acender um cigarro e sentar na escada. Mesmo sem grana, com aquela frustração de sentir a boca salivar por uma cerveja gelada, com frio as vezes. Claro que eu estaria bem em casa, enrolada em edredons no sofá assistindo qualquer coisa e procrastinando.
Mas não dá. Preciso sentir pra escrever, ver gente, esbarrar em desconhecidos na rua e, eventualmente, parar na cama de um deles. Sair de um kitnet apertado toda descabelada me perguntando se o batom borrado se encontra em uma trilha envolvendo orelhas e nuca, pescoço, decotes, olhar com cara de luxúria pro vizinho (de quem?) Dividindo o elevador e sorrir pro porteiro que nunca viu mais louca. Eu não voltarei ali. Eu quase nunca volto.
Eu disse que não voltaria cedo, que nao me esperassem, que eu voltaria se nada acontecesse e tudo sempre acontece uma hora ou outra, não? Sim, acontece. As pessoas andavam, eu olhava pros lados observando a moça vindo em minha direção me olhando como se eu pensasse que era alguém que ela sabia não ser eu, mas eu era.

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