Eu sou como as outras

E, é com sinceridade que digo que cansei. Todos os bolos de laranja recém saídos do forno, cafezinhos passados, almoços especiais e jantares inesquecíveis há muito tempo são destinados a minha pessoa. Não que os outros ao meu redor não mereçam, mas após muitos anos vivendo para ser aceita por um parâmetro externo que nunca se satisfaz aprendi que não existe nada mais gostoso que viver pra mim mesma.

Foi muito difícil chegar a essa conclusão. Como a maioria das mulheres fui criada para desenvolver um suposto instinto materno, que um dia deveria ser dirigido a um marido, depois a casa e aos filhos. Instinto esse que é forjado, que limita meu tempo, que faz com que eu seja o segundo lugar validado por uma suposta santidade e devoção.

Sempre quis ter outra vida, na qual sou livre, viajo, estudo, trabalho e não devo satisfações dos meus horários. Gosto do silêncio e de ficar longas horas sozinha. Preciso disso pra ser criativa, olhar meus filmes, desenvolver minha técnica de desenho, aprender mais uma música no violão. Desde pequena achava injusto perceber que os homens tinham intactos seus espaços sagrados na casa chamados de escritório, sempre com seu jornal e de portas fechadas. Não entendia essa dádiva de poder socializar com os amigos em espaços especiais masculinos como clubes, saunas e jogos de futebol enquanto para as mulheres era destinado o espaço santo da casa. Mulheres não, mães. SANTAS.

Não sou um monstro rude, nem o mais egoísta dos seres humanos, existem outras como eu. Aos conservadores, ao ser homem que acha que pode opinar sobre o modo como conduzo meu mundo, digo que tentei. Em cada relação sentia a mesma coisa, os mesmos vícios, as mesmas situações limitantes. Aquilo não era pra mim e nem nunca foi.

É como um grande segredo, mas, acreditem, muitas mulheres aspiram mais do que o lar. Muitas querem vidas próprias. Isso não torna nenhuma delas menos doces ou rudes. Isso não faz com que elas não sejam seres humanos exemplares e cheios de amor. Elas só vivem um modelo novo, experimentando ser integra com os seus sentimentos apesar de todo um mundo exclusivo, criado pro ser humano chamado homem, que por alguma loucura muito grande segue achando que é o dono e senhor de todos os privilégios.

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