Partida -Parte VI
Algumas coisas ainda pareciam intransponíveis. Você se empenha para mudar o ponto de vista, ser mais compassivo, mas algumas injustiças causam ruído. Choques profundos que apertam os gatilhos de sofrimento.
Toda hora notícias bombardeiam histórias insanas. Gente que com o menor escrúpulo aproveita do poder para comandar a vida alheia. Seres que apesar de frequentar templos e proferir orações vociferam palavras de ódio ou confortavelmente permanecem em seus casulos.
Não posso resolver os problemas do mundo nem viver nessa extrema sensibilidade. A sociedade pede que eu escolha a cegueira para que continue sustentando o que já não tem conserto.
Seguir adiante, evoluir, seguir para frente e olhar para onde brilha o Sol. Recorrer a arte, ao isolamento e o contato com natureza. Quem sabe até fugir, ficar incomunicável. Talvez ressignificar minha vida dando significado a vida de outras pessoas.
Queria ter forças para acreditar numa mudança global, mas os que ousam são recebidos pela grande massa com descrédito, apenas ímpeto de juventude sem causa.
As críticas são tantas para quem ampliou a visão, que desconsertam, desanimam, ainda mais quando você está lutando pela sobrevivência diária. A vida num país desigual, com oportunidades caçadas pelo favorecimento de quem já nasce em berço de ouro, tudo pede firmeza em dobro.
Os negócios pareciam prosperar mas ainda não era o suficiente, eu pensava e executava planos, mesmo assim não atingia os objetivos. Não tinha mais chances de desistir, começar de novo é todo dia. Foram meses de muita coragem.

Essa obra é uma ficção, memórias, sonhos e recordações da autora fazem parte da colcha de retalhos.