Codinome: escritora

Vivo rodeada pelos rótulos, os que eu mesma me dou e os que me dão. Um deles é o de escritora, isso que eu faço por aqui na news, que eu faço no blog, no instagram, twitter e facebook. Agora ando tentando ser escritora no Medium também. Mas se colocar como dona da escrita nem sempre é fácil para mim, mesmo sabendo que, de todos os rótulos, esse é o que mais me pertence.
Escrevo desde que entendo o que é escrever. Com 10 anos pentelhei minha família para ganhar um diário de aniversário, ganhei e de lá para cá é só o que faço. Fui daquelas que preparava agendas, que escrevia nelas todo santo dia. Tive diários feitos por mim mesma quando achei que já era muito velha para agendas da Cantão (jabá grátis por motivos de amor). Porém, de uns 3 anos para cá tudo meio que se resumiu ao virtual e isso meio que minou um pouco a frequência de escrita.
Ao me definir como escritora me defino como uma de textos sempre muito longos, e ao tentar voltar a ter um ritmo de escrita e divulgação do que escrevo caí nas garras do Instagram, e lá rola uma prática de poesia e textos curtos, frases soltas, meio até uma auto ajuda liberada. Afinal, os corações não deixam de ser magoados com o passar dos anos, toda geração tem seu momento de morrer de amor. Só que o texto curto é como uma amarra para mim, me poda mais do que deveria. Por um tempo funcionou bem e tenho lá meus quase três mil seguidores, mas hoje está difícil sobreviver criativamente sendo essa pessoa que escreve em uma linha só.
A newsletter veio me dar um frescor maior, um desafio de pelo menos uma vez na semana escrever alguma coisa para leitores muito selecionados e especiais (me amem! rs). Mas ainda assim não cheguei ao ritmo ideal de escrita para me considerar dona plena do rótulo que me dei.
Não vou mentir, os textos vêm à minha mente, eles moram no meu pensamento constantemente, principalmente nos momentos em que não tenho recursos por perto para escrevê-los. E do momento em que sento para colocá-los para fora, muitos deles evaporam, como se a real intenção deles fosse viver apenas dentro de mim. Daí eu me cobro por não ter sido rápida o suficiente para torná-los eternos no mundo físico.
Talvez o fato de não poder me dedicar única e exclusivamente a isso, o fato de não poder ficar o dia inteiro diante de uma tela de computador somente escrevendo, criando, sendo escritora, talvez isso também vá acabando com a inspiração que vive dentro de mim. Afinal, temos que sobreviver nesse mundo capitalista, não é mesmo? E talvez se eu parar um momento a cada dia e escrever um trecho de cada coisa, pode ser que eu passe a ter o ritmo de escrita que eu gostaria.
Enquanto isso, vou escrevendo para vocês e para mim também, me desafiando a cada semana em busca de vestir melhor a carapuça máxima e mais linda da vida que para mim (até agora) é a de escritora.

*Texto publicado originalmente na Devaneios News em 07/09/2017